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[QUADRINHOS] INTERVIEW WITH THE VAMPIRE (1991 - 1994)

sexta-feira, 5 de agosto de 2022.


       Publicada pela Innovation Comics, Interview with the vampire foi a primeira transposição do romance homônimo de Anne Rice para outra mídia. Trata-se de uma adaptação da obra integral, diferenciando-se, portanto, de Entrevista com o vampiro: A história de Cláudia. Foi dividida em 12 edições publicadas entre agosto de 1991 e janeiro de 1994, de acordo com o Mycomicshop.com. O site também registra a periodicidade da publicação (que oscilava entre bimestral e trimestral) e um resumo de cada edição. 

    O roteiro da adaptação em quadrinhos foi escrito por Cynthy J. Wood e Faye Perozich, com as artes de Joseph Phillips, Chris Moeller, Daerick Gross e Alexander Jubran. Sinceramente, todos são nomes desconhecidos por este que vos fala, mas o trabalho dessa equipe foi bastante satisfatório neste trabalho, especialmente se levarmos em conta que a publicação foi concluída antes do lançamento do filme de Neil Jordan, também de 1994, mas que só estreou no final daquele ano.

Infelizmente, esses quadrinhos não foram publicados no Brasil; aliás, há quem nem saiba de sua existência. Então, para dar um aperitivo aos fãs de Anne Rice, fiz uma tradução amadora da primeira edição da publicação, disponível NESTE LINK. Para visualizar o arquivo, basta digitar a senha sangueantigo (assim mesmo, tudo junto e minúsculo). Por outro lado, quem quiser se aventurar pelo insubstituível original em inglês, pode acessar todas as doze edições online AQUI.


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[FILME] 2019: O ANO DA EXTINÇÃO (Daybreakers, 2010)

terça-feira, 31 de dezembro de 2019.
Em um futuro alarmantemente próximo, os vampiros saíram das sombras e vivem abertamente na sociedade antes dominada pelos seres humanos. Porém, longe de estabelecer uma coexistência mais ou menos pacífica na busca de direitos civis básicos, como proposto na série True Blood, aqui os vampiros optaram por seguir sua natureza predatória, como em The Strain, estabelecendo-se no topo da cadeia alimentar e tratando os humanos como mero gado.
Quase dez anos depois do início da epidemia vampírica, estamos em 2019 e é aqui que o subtítulo nacional se explica: devido à excessiva caça e exploração dos seres humanos em indústrias de drenagem e processamento de sangue em larga escala, a população humana da Terra se reduziu tão drasticamente que está a ponto de se extinguir, o que, consequentemente, também significa a extinção dos vampiros por falta de alimento. O tempo é curto e a necessidade por mais sangue é urgente, pois a falta dele provoca mutações grotescas nos vampiros, transformando-os numa subespécie animalesca e irracional. Para tentar reverter este problema, empresas como a de Charles Bromley (Sam Neill) trabalham no desenvolvimento de um sangue sintético que possa suprir as necessidades vampíricas (ao menos por tempo suficiente para que a humanidade se reproduza até voltar a ser o prato principal e genuíno). Entre os cientistas que trabalham incansavelmente na criação deste sangue artificial está Edward Dalton (Ethan Hawke), hematologista e vampiro “abstêmio” que está mais preocupado em salvar os últimos seres humanos do que atender à sede da sua raça. Ao se deparar com um pequeno grupo de humanos fugitivos, Edward descobre a possibilidade de uma solução para o problema vampírico que pode ser muito mais eficaz que o sangue sintético (cuja produção, aliás, tem fracassado até então).
          Dos filmes que surgiram durante a fase dos “vampiros na moda” (2008 a 2012), 2019: O ano da extinção é o meu preferido. Acho a abordagem dos irmãos Spierig original dentro de uma temática que estava se arrastando em melosismo romântico. Neste filme há espaço para uma sátira sobre o consumismo (propaganda de tratamento clareador dental, túneis exclusivos e veículos especialmente desenvolvidos para a elite dos dentuços), crítica social e, de forma análoga, ainda denuncia o predatismo humano sobre os animais.
Nos aspectos visuais este filme também me agradou muito por terem optado pelo gore prático nos momentos sangrentos (porque CGI em filme de vampiros é broxante). A representação dos vampiros é bem básica: olhos dourados e presas salientes permanentemente. Porém, a maquiagem dos vampiros mutantes merece destaque: parecem monstros saídos da cabeça do Guillermo del Toro. Outro ponto que achei interessante foi a “desglamourização” dos vampiros, ao representá-los sem os poderes de super-heróis comumente associados a eles: neste filme eles não voam, não têm super força e nem super velocidade. De vampiros Marvel basta o Blade. 

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[SÉRIE] WHAT WE DO IN THE SHADOWS (2019)

sábado, 9 de novembro de 2019.


Esta série é creditada como baseada no filme What we do in the shadows, de 2014, mas não é um remake ou versão estendida da obra original, como acontece na série From dusk till dawn, que é baseada no filme de Robert Rodriguez. Na verdade, What we do in the shadows é uma releitura da temática e dos conceitos do filme, mas traz uma história nova e independente que pode ser vista sem vínculo com ele.
Criada por Jemaine Clement (que atuou e foi um dos roteiristas do filme original), a série preserva a estrutura de pseudodocumentário ao acompanhar o cotidiano de quatro vampiros que dividem a mesma casa em Staten Island – um bairro nova-iorquino – nos dias atuais. Com uso constante do humor negro, a série mostra as aventuras e, principalmente, os problemas de ser vampiro em pleno século XXI. As “vidas” desses vampiros ficam ainda mais complicadas com a chegada do Barão Afanas (Doug Jones), um poderoso vampiro ancião que se hospeda na casa deles.
             Os personagens de What we do in thed shadows satirizam elementos clássicos das histórias de vampiro: (pan)sexualidade, reencarnação, criação de “prole”, hierarquia vampírica, rivalidade com lobisomens, etc. Nesse quesito a série expande o universo do filme, explorando os dramas de cada personagem.
          Nandor (Kayvan Novak), que se considera o líder do grupo, é uma paródia do vampiro guerreiro “histórico”, Vlad Tepes (que inspirou o Drácula de Bram Stoker). No grupo ele também é o mais desajustado aos tempos modernos, tendo problemas que vão desde a incompreensão da tecnologia até aspectos burocráticos como obter cidadania americana. Por isso ele não abre mão da ajuda de seu servo humano Guillermo (Harvey Guillén), cujo maior desejo é se tornar um vampiro também.
               Laszlo (Matt Berry) é uma paródia da pansexualidade vampírica. No passado ele aproveitou seus dotes para fazer sucesso no mercado pornô gótico, mas é casado com Nadja (Natasia Demetriou), a vampira que o transformou e que faz parte do grupo agora. Nadja, por sua vez, encarna o viés sentimental do vampirismo, sempre em busca de seu amante humano, morto há séculos, mas que reencarna de tempos em tempos.
              Por fim, há Colin Robinson (Mark Proksch), um vampiro de energia: ele pode andar durante o dia e não tem presas e nem se alimenta de sangue. Ele é basicamente um humano que suga a energia das pessoas – e de outros vampiros – entediando-os com sua presença e conversa insuportavelmente maçantes. Com exceção dele, os vampiros apresentados na série têm as características genéricas e clássicas: podem se transformar em morcego, levitar, têm intolerância a símbolos cristãos e à luz solar, dormem em caixões, etc.
          Repleta de referências culturais ao universo vampírico, acredito que o ponto alto desta 1ª temporada seja o sétimo episódio, que faz uma ótima homenagem a algumas das produções mais famosas do gênero, de Blade a True Blood. No mais, é uma série deliciosa de acompanhar; composta de apenas 10 episódios com duração média de 20 minutos cada, é a melhor estreia do ano para os amantes dos dentuços. Já foi confirmada uma 2ª temporada prevista para 2020.


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[SÉRIE] DRÁCULA (Dracula, 2013)

domingo, 6 de outubro de 2019.
Apesar de se passar no mesmo local e época do romance gótico de Bram Stoker (Londres, no final do século XIX), esta versão de Drácula não é uma adaptação do livro clássico. De maneira similar a Penny Dreadful, esta série criada por Cole Haddon para a NBC utiliza personagens e situações do livro e as reformula para criar algo notavelmente diferente, inclusive invertendo certas perspectivas convencionais da história original.
A trama começa em 1881, com Van Helsing (Thomas Kretschmann) adentrando no túmulo de Drácula (Jonathan Rhys Meyers), na Romênia, onde o vampiro está aprisionado num estado mumificado. Porém, ao invés de destruí-lo, Van Helsing deliberadamente o desperta, com a intenção de se associar a ele na execução de um plano de vingança contra um inimigo em comum. Há um avanço de quinze anos e somos transportados para Londres, onde um “novo rico” americano de nome Alexander Grayson acaba de chegar disposto a causar uma revolução na sociedade e no mercado com seu inovador empreendimento tecnológico. Grayson é ninguém menos que o próprio Drácula, e seus negócios em Londres são apenas parte do seu objetivo principal: destruir a Ordem do Dragão – uma sociedade secreta formada por empresários e outros membros da elite britânica que controlam a economia. Porém, assim como Grayson, a Ordem tem outra função: através dos séculos eles combatem heresias, o que inclui destruir vampiros com uma equipe altamente treinada de caçadores e videntes (pessoas com a habilidade extra-sensorial de localizá-los telepaticamente).
Nesta versão da história, Drácula pode ser considerado, à sua maneira, o “mocinho” da história, ficando para os membros da Ordem do Dragão, principalmente seu líder, Mr. Browning (Ben Miles), o papel dos vilões. Em sua vida humana, Drácula teve sua esposa capturada e queimada como feiticeira pela Ordem, sendo ele também preso, torturado e amaldiçoado, tornando-se o primeiro vampiro. Nesse episódio trágico da vida do personagem, e também pelo fato de a esposa de Drácula ter reencarnado nos dias “atuais” na pele de Mina Murray (Jessica De Gouw), a série lembra o filme de Francis Ford Coppola, assim como a obsessão romântica do vampiro por ela.
Para levar a cabo sua vingança contra aqueles que destruíram sua vida e o tornaram o senhor das trevas, Drácula conta com a ajuda de Van Helsing, que compartilha do mesmo ódio pela Ordem, pois sua família também foi exterminada por eles. Através de seus conhecimentos científicos, Van Helsing desenvolve um procedimento que permite a Drácula andar ao sol, embora por tempo limitado. Assim, ele não só consegue desviar de si as suspeitas de ser um vampiro como também desenvolve um perigoso jogo de sedução e manipulação com Lady Jane (Victoria Smurfit), a melhor caçadora e braço direito de Mr. Browning. A propósito, esta série combina muito bem elementos eróticos e sangrentos; mesmo sendo mais light do que Penny Dreadful, ela explora bem o teor sexual dos personagens (inclusive apresentando momentos homoeróticos) e o horror explícito em cenas intensas onde o sangue jorra com gosto.
Embora tenha sido cancelada após a primeira temporada, a história proposta foi bem contada e o final foi quase totalmente amarrado. Os principais conflitos desenvolvidos foram resolvidos no último episódio (foram 10, no total), alguns personagens tiveram sucesso em seus planos, outros encontraram a morte inevitável, outros tiveram uma guinada no que acreditavam... A última cena deixa uma ponta solta para continuação, mas francamente não acho que precisaria render mais uma temporada; creio que mais dois episódios seriam o bastante para resolver tudo e encerrar definitivamente esse Drácula.


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[FILME] VAN HELSING: O CAÇADOR DE MONSTROS (Van Helsing, 2004)

sexta-feira, 13 de setembro de 2019.

Uma multidão enfurecida, armada com foices e tochas, dirige-se ao castelo de Victor Frankenstein (Samuel West), que a essa altura vibra de felicidade por ter conseguido dar vida à sua criatura abominável. Entretanto, a alegria de Victor dura pouco, pois ali está ninguém menos que Drácula (Richard Roxburgh), que financiou as experiências do cientista e tem intenções pouco humanitárias para a criatura. O conde vampiro pretende usar o monstro de Frankenstein como “bateria” para dar vida a sua numerosa prole de sanguessugas alados em miniatura. Para impedir que este plano grotesco tenha êxito, entra em cena Van Helsing (Hugh Jackman), um experiente caçador de monstros incumbido pelo Vaticano de eliminar as ameaças sobrenaturais que assolam o mundo. Acompanhado do seu fiel escudeiro, frade Carl (David Wenham), Van Helsing parte para a Transilvânia, onde se reúne a Anna Valerious (Kate Beckinsale), descendente de uma antiga família amaldiçoada pela existência de Drácula.
Esta é, em resumo, a trama de Van Helsing, filme que não é exatamente sobre vampiros, mas que os coloca como elemento central numa verdadeira salada de referências aos antigos filmes de monstros da Universal. Aqui há espaço não só para Drácula e Frankenstein, mas também para lobisomens e até mesmo Jekyll/Hyde do clássico O médico e o monstro.
Nos quesitos técnicos, Van Helsing é um filme que não decepciona: fotografia, figurinos, maquiagem e efeitos especiais são realmente dignos de uma superprodução. O problema, na minha opinião, é que toda essa beleza visual cobrou um alto preço: história. A direção e roteiro são de Stephen Sommers, o mesmo responsável pelos dois primeiros filmes da trilogia A Múmia (1999 e 2001). Porém, considero aqueles filmes muito mais sólidos, originais e interessantes, principalmente porque as histórias são bem amarradas – o que eu acho o mais importante em qualquer trama de aventura com elementos de fantasia.
O roteiro de Van Helsing é frágil e cheio de furos, desde as motivações de Drácula até a resolução do grande enigma sobre a localização de seu esconderijo e a forma de destruí-lo. Além disso, o filme apresenta algumas caracterizações de gosto duvidoso, como o Mr. Hyde parecendo o incrível Hulk, o Drácula muito afetado e – o único grande erro do CG – a versão monstruosa dele que aparece no confronto final do filme. Aquele morcegão ficou mais tosco do que o Escorpião Rei que desperta no fim de O retorno da Múmia. O próprio Van Helsing não tem nada daquele velhinho altamente instruído nas ciências ocultas que aparece no livro de Bram Stoker; contudo, isso é perdoável, já que aqui ele nem se chama Abraham, mas Gabriel, algo que pode ser considerado uma saída criativa do diretor e roteirista para a reinvenção do personagem. Seja como for, o fato é que este não é um dos filmes que apresentam Drácula em sua melhor forma.

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[SÉRIE] FROM DUSK TILL DAWN: The Series (2014 - 2016)

sábado, 6 de julho de 2019.

Desenvolvida por Robert Rodriguez (diretor do filme de 1996 comentado AQUI) From Dusk Till Dawn: The Series estreou em março de 2014 e teve 3 temporadas, distribuídas no Brasil pela Netflix – embora não seja uma produção original da plataforma. A primeira temporada é basicamente um remake do filme, apresentando mais detalhadamente os eventos ocorridos desde a perseguição da polícia aos irmãos Gecko até o sequestro dos Fuller e, finalmente, a luta pela sobrevivência no Titty Twister. Também são introduzidos novos personagens, que ganham bastante destaque nas temporadas seguintes, em especial Freddie (Jesse Garcia), um policial que está sempre na cola dos Gecko, e Carlos (Wilmer Valderrama), um dos vilões principais até a segunda temporada. Protagonizando a série estão D.J. Cotrona como Seth e Zane Holtz como Richie (papéis que pertenciam respectivamente a George Clooney e Quentin Tarantino no filme). As personalidades dos dois foram muito bem trabalhadas na série: Seth sendo o irmão cínico e prático, enquanto Richie é perigosamente instável, literalmente perturbado por seus demônios interiores.
         Quem já assistiu à trilogia sabe que as sequências não têm ligação com o filme original: o segundo porque o ignora e é quase um reboot; o terceiro porque é uma prequela, narrando a origem de Santanico um século antes da história do primeiro filme. A série, por sua vez, segue seu próprio caminho. O final da primeira temporada é diferente do mostrado no filme, com Richie e Santanico vivos, tornando-se personagens fundamentais na trama das próximas temporadas.
           Um aspecto muito chamativo na série é que ela desenvolve uma mitologia mais rica sobre os “vampiros-répteis” (aqui chamados culebras), deuses, demônios e outras entidades que povoam esse universo baseado nas crenças astecas. A propósito, a origem de Santanico (Eiza González) é diferente da apresentada em Um drink no inferno 3: A filha do carrasco, mas pessoalmente achei mais condizente com o contexto da mitologia.
          O visual dos vampiros na série é outro acerto, mais orgânica e “limpa” do que a do filme, combinando bem efeitos digitais (com direito a presas retráteis como em True Blood) e maquiagem prática. Outra coisa interessante é que a série traz algumas participações especiais de atores da trilogia (em outros papéis): Robert Patrick, que interpreta Jacob Fuller, foi um dos membros da quadrilha (e posteriormente mocinho) de Um drink no inferno 2: Texas sangrento. Danny Trejo aparece na 2ª temporada como Regulator, um vilão barra pesada; nos filmes ele era o bartender do Titty Twister. E Tom Savini, que era o icônico “Sex Machine” no primeiro filme, aparece na 3ª temporada da série como Burt, uma espécie de caçador de demônios aposentado.
          No final das contas, embora eu prefira o filme Um drink no inferno como produção única, acho que a série funciona bem melhor do que a trilogia. Os efeitos visuais são muito bons, há ótimas sequências de ação e momentos sanguinolentos que são puro deleite no melhor estilo trash.


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[LISTA] 3 NOVAS SÉRIES DE VAMPIROS

quarta-feira, 22 de maio de 2019.

Estão listadas aqui as três séries vampirescas mais recentes de que tenho notícia, lançadas neste ano até a data desta publicação.

1. THE PASSAGE

Baseada na trilogia best-seller de mesmo nome escrita por Justin Cronin, esta série tem o dedo de Ridley Scott, Matt Reeves e do próprio autor como produtor. A produção lembra The Strain (também baseada numa trilogia literária) por ter uma abordagem mais científica para o vampirismo e a consequente “praga” de sanguessugas que se alastra pelo mundo. Porém, enquanto em The Strain ainda há alguns elementos mitológicos (como a origem dos primeiros vampiros e suas fraquezas), em The Passage o vampirismo é consequência de um experimento militar secreto do governo americano que sai do controle e se transforma num desastre global.
Basicamente a primeira temporada acompanha o agente Brad Wolgast (Mark-Paul Gosselaar) em sua missão de proteger Amy (Saniyya Sidney), uma menina órfã escolhida para ser a cobaia do experimento. Essa temporada ficou mais focada no desenvolvimento dramático dos personagens, deixando pouco espaço para a ação. O tal apocalipse vampírico só ocorre realmente no final da temporada e seria explorado com mais intensidade no segundo ano da série. Infelizmente, parece que a audiência não se satisfez com a demora em chegar às vias de fato, o que forçou a Fox a cancelar oficialmente a produção. Agora, quem quiser saber os rumos da trama de Cronin terá que se contentar com os livros.



2. KINGDOM

Esta série sul-coreana distribuída pela Netflix teve mais sorte que The Passage: prevista para ser uma minissérie de 6 episódios, foi tão bem aceita por público e crítica que uma segunda temporada já foi confirmada. A trama medieval mistura elementos históricos e fantásticos para contar a história de um reino assolado por uma estranha praga que transforma as pessoas em monstros sanguinários. Enquanto o príncipe herdeiro do trono investiga tal praga e sua relação com o rei – que adoeceu misteriosamente do mesmo mal –, precisa lidar com toda uma intriga de conspirações, traições políticas e ambições que estão fervilhando no reino, ameaçando a própria sucessão real.
Em relação aos vampiros desta série, há certa controvérsia em classificá-los como tal, pois embora sejam sedentos por sangue e sensíveis à luz solar, suas demais características são mais próximas dos zumbis, como a selvageria, a forma como se movem e se comportam, sua aparência putrefata, etc. Há até quem prefira considerá-los “híbridos”, batizando-os como zumbiros!  



3. IMMORTALS

Esta série chegou à Netflix oficialmente em 2019, mas já fazia parte de um canal do YouTube no ano passado. Trata-se de uma produção turca que provavelmente agradará os fãs órfãos de The Vampire Diaries, pois segue a fórmula das séries teen do gênero. Sendo bem franco, das 3 séries listadas aqui esta foi a única de que não gostei e justamente por esse motivo.
A trama acompanha a vampira Mia (Elçin Sangu) em sua busca por vingança contra Dimitri (Kerem Bürsin), o vampiro que a transformou contra sua vontade. Ao mesmo tempo que sonha em voltar a ser humana, Mia pretende impedir que Dimitri obtenha uma relíquia cujos poderes podem torná-lo invulnerável. É claro que nesse jogo de gato e rato muitos sentimentos conflitantes de amor e ódio afloram. Como dá para notar, não é uma série que se destaque por originalidade, mas pode valer a pena pela ambientação exótica em Istambul. Ainda não há confirmação sobre uma possível segunda temporada.

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[TRILOGIA] BLADE (1998 / 2002 / 2004)

terça-feira, 16 de abril de 2019.

Lançado no final dos anos 90, o primeiro filme de Blade é mais uma produção memorável daquela década riquíssima para o cinema vampiresco (só para citar alguns clássicos da época: Drácula de Bram StokerEntrevista com o vampiro e Um drink no inferno). O principal diferencial de Blade em relação às outras produções é que dessa vez temos uma abordagem mais voltada para a ação, nos moldes dos filmes de super-heróis. De fato, Blade é um personagem dos quadrinhos Marvel, criado por Marv Wolfman e Gene Colan. Caracterizado como um vampiro negro dotado de habilidades precisas no manejo de armas de fogo, lâminas (de onde lhe veio o codinome) e artes marciais, Blade (Wesley Snipes) é uma espécie de (anti)herói que dedica sua vida a exterminar os vampiros. Na mitologia do filme, os vampiros são imunes a “amenidades” como símbolos religiosos, de modo que, para destruí-los, os únicos meios são através da violência e armamentos que contenham prata, alho ou luz ultravioleta.
          Tendo sido transformado em vampiro antes de nascer (sua mãe foi atacada por um vampiro quando já estava grávida), Blade é apenas meio-vampiro, possuindo a força, rapidez e resistência dos vampiros, mas sendo imune à luz solar – razão pela qual ele é conhecido como Daywalker, “O Que Caminha de Dia”. Infelizmente para ele, Blade herdou a sede de sangue dos vampiros, sendo necessário que tome regularmente um soro inibidor preparado por Whistler (Kris Kristofferson), seu mentor e figura quase paterna.
          No universo de Blade existem os vampiros puros (que já nasceram assim, isto é, pertencem a uma linhagem) e os “não-puros”, ou seja, humanos que adquiriram essa condição através de mordida. É nesse último grupo que se encontra Deacon Frost (Stephen Dorff), o vilão deste filme. Humilhado por não ter ascendência pura, Frost planeja vingar-se da elite vampírica e adquirir poder absoluto através de um ritual profético no qual incorporará um deus vampiro ancestral invencível. A missão de Blade é impedir que Frost realize seu objetivo e provoque um apocalipse vampiro sem precedentes.
       De modo geral, Blade é um ótimo filme de ação com vampiros, com boas atuações – especialmente a de Snipes –, roteiro consistente e efeitos visuais muito bons (exceto o dos vampiros “inchando” e explodindo ao levar injeções de anticoagulante: aquilo dá vergonha alheia). Mas ainda assim Stephen Norrington se saiu melhor na direção do que David S. Goyer no terceiro filme.



A sequência de Blade foi dirigida por um Guillermo Del Toro já conhecido no meio hollywoodiano, e ele não decepciona aqui; na verdade, Blade 2: O Caçador de Vampiros é o melhor filme da trilogia. Os eventos se passam dois anos depois da trama anterior. Uma nova raça de vampiros mutantes surgiu, resultado de uma espécie de pandemia viral que torna os infectados quase invulneráveis, a não ser pela luz solar. Esses novos vampiros são muito mais primitivos e selvagens e, além de serem incontroláveis, representam perigo para os vampiros “normais”, pois se alimentam também deles, infectando-os. Na urgência de conter essa praga antes que ela dizime seu “povo”, o Lorde Damaskinos (Thomas Kretschmann) propõe uma trégua/aliança com Blade. Porém, como nosso herói badass bem tem motivos para desconfiar, Damaskinos e sua turma não estão sendo totalmente honestos.
          As cenas de ação e os efeitos visuais desse filme são eletrizantes, das coreografias das lutas aos espetáculos pirotécnicos, mas o mais interessante, sem dúvida, é a concepção dos “reapers” (como são chamados os vampiros mutantes). Eles lembram bastante os monstros criados por Del Toro e Chuck Hogan posteriormente no universo de The Strain: além de serem carecas e muito pálidos, suas bocas se abrem anormalmente com uma fenda que vai até o queixo, e eles infectam as vítimas através da língua, que possui uma espécie de ferrão.



Se o segundo filme foi melhor do que o primeiro, era de se esperar que o terceiro pelo menos mantivesse o nível do antecessor... coisa que passou longe de acontecer. É estranho que David S. Goyer, roteirista dos filmes anteriores, tenha errado tanto ao assumir o roteiro e a direção deste capítulo final da trilogia.
A ideia central de Blade Trinity até que é aceitável: um grupo de vampiros decide ressuscitar ninguém menos que Drácula, o vampiro original, com o objetivo de descobrir seu segredo para ser invencível e imune à luz solar, e, de quebra, fazer com que ele destrua Blade. Em contrapartida, um grupo de caçadores de vampiros que se autodenomina “Nightstalkers” está trabalhando no desenvolvimento de uma “cura” viral para o vampirismo, precisando da ajuda de Blade para infectar Drácula. Até aí, o filme vai bem; o problema é que a execução dessa ideia é péssima, desde a escolha de Dominic Purcell para o papel de Drácula (exceto quando ele está na sua forma monstruosa, parece que ele acabou de fazer um show de axé) até o roteiro cheio de situações forçadas e mal resolvidas levando a um final brega. Talvez o pior recurso desse filme tenha sido introduzir humor desnecessariamente; aliás, o personagem de Ryan Reynolds está o tempo todo fazendo piada, como se já estivesse ensaiando para ser Deadpool. Enfim, é um filme bem dispensável, válido apenas para dar uma ideia de fechamento à trilogia.

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[LISTA] 5 PIORES SEQUÊNCIAS DE FILMES DE VAMPIROS

terça-feira, 12 de março de 2019.

Uma seleção de algumas das continuações mais descartáveis do cinema, seja porque os filmes originais não precisavam de sequências, seja porque mereciam coisa bem melhor.



1. A RAINHA DOS CONDENADOS (Queen of the Damned, 2002)
Direção: Michael Rymer

Para começar, um filme que já está na lista 10 filmes de vampiro para morrer antes de ver.
De longe o pior desta lista, particularmente considero esta a pior sequência/adaptação que já vi. Diferente do primor com que Anne Rice e Neil Jordan levaram às telas a adaptação de Entrevista com o vampiro, esta sequência já começa errando ao tentar adaptar os dois livros seguintes das Crônicas Vampirescas (O vampiro Lestat e A Rainha dos Condenados, ambos bastante longos) num filme de pouco mais de uma hora e meia. O resultado é deplorável. A única coisa que se salva é a trilha sonora.




2. UM DRINK NO INFERNO 2: TEXAS SANGRENTO (From Dusk Till Dawn 2: Texas Bloody Money, 1999)
Direção: Scott Spiegel

O filme original até deixa pontas soltas para uma sequência, mas este filme não se preocupa em amarrá-las; na verdade, o único vínculo com o filme anterior é uma cena no Titty Twister, onde ocorre um novo ataque de vampiros a uma quadrilha. E ainda assim é uma cena sem noção, já que é “coordenada” pelo vampiro-barman interpretado por Danny Trejo (e que morreu no filme original). Outra incoerência é que desconsideraram a mitologia criada no anterior, onde os vampiros eram meio reptilianos; aqui eles têm a aparência "normal" dos de Os garotos perdidos.




3. GAROTOS PERDIDOS 2: A TRIBO (Lost Boys 2: The Tribe, 2008)

Direção: P. J. Pesce
Uma continuação que leva quase vinte anos para ser lançada já diz muito sobre si mesma. Para tentar compensar a falta de carisma dos personagens (inclusive do único remanescente do filme original, Edgar Frog), a produção exagera na sexualização e só se lembra do derramamento de sangue quando já se passaram 2/3 da duração.









4. BLADE TRINITY (2004)
Direção: David S. Goyer

O primeiro Blade é um bom filme, mas Guillermo Del Toro conseguiu a proeza de realizar uma sequência excelente; já David S. Goyer deu com os burros n’água e fechou a trilogia de forma precária. O maior problema aqui é o roteiro fraco cheio de clichês, com personagens mal construídos e caricatos; nem mesmo o rei dos vampiros foi poupado: Drácula foi representado com uma aparência de cantor latino. Vale, quando muito, pelas cenas de ação pirotécnicas.






5. DRÁCULA 2: A ASCENSÃO (Dracula 2: Ascension, 2003)

Direção: Patrick Lussier
Apesar de não ter sido nenhum sucesso de crítica ou público, achei Drácula 2000 um filme bem razoável; o mesmo não pode ser dito desta sequência horrenda. O roteiro tem tantas falhas e absurdos, o andamento é tão arrastado e os personagens são tão patéticos (inclusive o Drácula oxigenado da vez) que é um tormento assisti-lo até o final. Pelo menos tem o “mérito” de ser curto.

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[FILME] DRÁCULA 2000 (Dracula 2000, 2000)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019.

Como o título indica, Drácula 2000 traz o imortal personagem de Bram Stoker para o novo milênio, fazendo-o despertar nos dias atuais (considerando o ano da produção), em busca de sangue, sexo... e um amor que é literalmente parte de si. A história se passa entre Londres e Nova Orleans – cenários clássicos para os vampiros de Stoker e Rice, respectivamente. O filme começa com a chegada fatídica do Demeter a Londres em 1897; há um avanço para o ano 2000 e acompanhamos um assalto minuciosamente orquestrado por ladrões hábeis em driblar segurança eletrônica. Eles invadem a loja de antiguidades de Van Helsing (Christopher Plummer) e encontram um caixão de prata hermeticamente lacrado e trancafiado num cofre nos subterrâneos da loja. Acreditando ser onde estão guardados os pertences mais valiosos do proprietário, eles levam o caixão e acabam inadvertidamente abrindo-o, libertando – e alimentando – novamente o poderoso vampiro, aqui interpretado por Gerard Butler. Drácula parte então para a América, movido por uma fixação pela humana Mary (Justine Waddell), com quem compartilha uma estranha ligação mental. Cabe a Van Helsing, acompanhado de seu incrédulo assistente Simon (Jonny Lee Miller) a missão de impedir que o vampiro concretize seus planos.
          Apesar de não ser uma adaptação direta, este filme, dirigido por Patrick Lussier, faz várias referências ao livro Drácula: além da óbvia presença de Van Helsing – que diz ser descendente do personagem original – sua loja tem o nome Carfax; Drácula transforma especificamente três mulheres, que se comportam como suas “noivas”; ele pode se transformar em lobo e morcego; a mocinha do filme trabalha e mora com uma amiga chamada Lucy e uma das vampiras é tratada por um certo Dr. Seward. Por sua vez, a perseguição de Drácula a Mary lembra a fixação apaixonada do personagem por Mina no filme de Coppola (comentado AQUI).
          Em relação à mitologia vampírica tratada neste filme, vemos que os vampiros não têm reflexos, podem escalar paredes, dar grandes saltos, seduzir, são sensíveis a prata, queimam ao sol e temem crucifixos (a menos que sejam ateus, como é explicado “na prática”); quanto às formas de matá-los, a regra da estaca no coração continua válida, mas é preferível a decapitação.
         Um ponto original nessa produção é a ideia de explorar a identidade de Drácula, o que tem o duplo efeito de buscar uma nova origem para o mito e, consequentemente, uma justificativa para as suas maiores fraquezas aqui: símbolos cristãos, prata e luz solar. Associar o vampirismo a uma maldição infligida a um personagem bíblico é uma ideia realmente interessante e plausível.

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[LIVRO] A ÚLTIMA VAMPIRA (The Last Vampire, 2001)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019.
A última vampira é a sequência do romance neogótico Fome de Viver (The Hunger), publicado e adaptado para o cinema na década de 1980 (sobre o filme, clique AQUI). Diferindo do final do filme, no qual a protagonista e milenar vampira Miriam Blaylock morre (numa cena memorável), o livro tem um desfecho mais “otimista” para a personagem, possibilitando seu retorno nesta continuação.
Publicado vinte anos depois de Fome de viver, a trama de A última vampira também se passa duas décadas depois dos eventos daquele livro, começando com Miriam viajando à Ásia (especificamente, a Bangcoc) para participar do Conclave, uma espécie de conferência centenária na qual os guardadores (como são chamados os vampiros) se reúnem para realizar suas cerimônias secretas e discutir o futuro do seu “rebanho”, isto é, os seres humanos.
Entretanto, ao chegar ao local da reunião, ela descobre que um experiente caçador de vampiros financiado pela CIA orquestrou a destruição do “covil” asiático e de todos os guardadores que ali se encontravam. Miriam parte então para a França, a fim de alertar os europeus do risco que a espécie está correndo, com um exterminador que agora conhece as fraquezas e segredos deles. Em Paris, uma nova carnificina ocorre, da qual Miriam escapa por pouco, conseguindo retornar à América, mas ainda com o caçador – Paul Ward – no seu encalço. À medida que a trama avança, percebe-se que os destinos de Miriam e Paul estão fatalmente ligados por uma circunstância bizarra cujas consequências atingirão ambos de forma imprevisível – pelo menos imprevisível para eles.
          Se, devido à abordagem elegante, sombria e acentuadamente homoerótica, Fome de viver tinha certas similaridades com as obras de Anne Rice, neste segundo livro tais semelhanças são ainda mais perceptíveis, às vezes parecendo uma “versão lésbica” de Entrevista com o Vampiro. O trio de vampiras que protagoniza o livro tem uma curiosa correspondência com o trio central do primeiro volume das Crônicas Vampirescas: Miriam, poderosa e influente, lembra Lestat; Sarah, a amante de Miriam, lembra muito Louis, pois sofre de uma eterna crise de consciência por ter que tirar vidas humanas para manter sua existência amaldiçoada; Leonore, por sua vez, a nova cria de Miriam, é fútil, impetuosa e inconsequente como Cláudia.
         Entretanto, essa semelhança com Rice não desabona o livro de Strieber de sua própria originalidade, pois aqui o autor (sim, ao contrário do que muita gente pensa, Whitley é um homem) desenvolve conceitos muito interessantes para a sua mitologia vampírica, desde suas origens “alienígenas” até a presença e influência dos vampiros nos grandes impérios históricos.
          Aqui os vampiros são uma espécie distinta e muito anterior à humanidade, sendo que essa “condição” é hereditária e, portanto, não transmissível através da mordida ou da troca de sangue, como é tradicionalmente representado na literatura e no cinema. Em relação à troca de sangue, o que acontece é que quando um vampiro o dá a um ser humano, este passa a ter a mesma sede de sangue e tem sua vida prolongada em séculos; porém, há um alto preço a pagar por essa dádiva – que mais tarde revela-se uma maldição: depois de levar uma vida excepcionalmente longa, o prazo de validade do humano “infectado” acaba e ele se deteriora transformando-se em um “cadáver vivo”, incapaz de morrer. Ao longo dos séculos, Miriam tem inúmeros amantes, aos quais ela ludibria dando-lhes seu sangue para prolongar-lhes a vida; quando eles se tornam essas múmias, ela os tranca em caixões que guarda no sótão por toda a eternidade.
          Um outro aspecto interessante na mitologia de Strieber é o sexo vampírico.  Diferente das obras de Anne Rice, nas quais o erotismo dos vampiros transcende a sexualidade humana, em A última vampira a abordagem sexual é mais carnal e explícita, como acontece nos livros de Charlaine Harris protagonizados por Sookie Stackhouse e, principalmente, em sua adaptação televisiva, True Blood. Os vampiros de Strieber podem se reproduzir entre si, e essa é a única forma de gerar novos e “verdadeiros” vampiros; Miriam deseja procriar com sua espécie, mas também gosta de se envolver sexualmente com os humanos – homens ou mulheres – simplesmente pelo prazer que obtém dessas relações.
          Procurando opiniões de leitores que conheçam os dois livros, é comum encontrar reclamações de quem afirme que esta sequência não tem a sutileza do livro original – no qual a própria palavra “vampiro” nem era mencionada. De fato, A última vampira segue uma abordagem mais explícita e menos sugestiva. A ação (sexo e violência) recebe mais destaque do que a atmosfera da história, mas não posso dizer que isso me desagradou; prefiro pensar que o autor mudou a perspectiva para adaptar-se à nova era, onde a tendência é o apelo gráfico. O que me frustrou foi descobrir, tarde demais, que este livro tem mais uma sequência: Lilith’s Dream, não publicado no Brasil.

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[SÉRIE] THE STRAIN (2014 - 2017)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018.
Baseada na Trilogia da Escuridão (The Strain Trilogy), escrita por Guillermo Del Toro e Chuck Hogan, a série The Strain foi criada em colaboração com os próprios autores, que, além de produtores, também participaram eventualmente como roteirista (Hogan) e diretor (Del Toro). Composta por quatro temporadas, a série foi lançada já depois do hype causado pela moda vampiresca adolescente inaugurado por Crepúsculo. Isso foi uma decisão acertada, pois o vampirismo apresentado em The Strain está longe de ter quaisquer elementos românticos ou eróticos.
A série se inicia com a investigação de um estranho acidente envolvendo um avião que chega ao aeroporto JFK trazendo uma carga suspeita e a possibilidade de uma ameaça de risco biológico a bordo. Entra em cena o epidemiologista – e protagonista – Dr. Ephraim Goodweather (Corey Stoll) com sua parceira, Nora Martinez (Mia Maestro), tentando detectar a ameaça. O que eles presenciam é um espetáculo de horror que está além das regras da biologia e da lógica científica. Cada vez mais confusos e abismados, eles são forçados a deixar o ceticismo de lado quando conhecem o velho Abraham Setrakian (David Bradley), antiquário judeu e sobrevivente do Holocausto, que parece saber exatamente a natureza do mal que eles precisam enfrentar.
          Aos poucos, Eph, Nora, Setrakian e outros personagens veem uma praga de vampiros disseminar-se por Nova Iorque de forma irreversível e incontrolável, ultrapassando seus limites, espalhando-se pela América e ameaçando dominar todo o planeta em poucos dias. A série se assemelha às histórias de apocalipse zumbi, como os filmes de George Romero e a série The Walking Dead, substituindo os cadáveres famintos por carne humana pelos bebedores de sangue. Nesse aspecto, a semelhança maior, entretanto, é com o clássico livro Eu sou a Lenda, de Richard Matheson, que fala de um futuro pessimista onde também uma praga vampírica assola o planeta.
          É interessante que o vampirismo aqui é representado sob uma perspectiva biológica, como uma verdadeira epidemia altamente contagiosa. Os vampiros transmitem a “infecção” através de mordidas dadas, não da forma clássica (caninos cravados no pescoço), mas por meio de um tipo de ferrão muscular que ejetam da boca no momento de atacar. Esse elemento, em particular, lembra bastante o modo como os vampiros atacam em Blade 2, filme dirigido por Del Toro e que parece ter servido como inspiração parcial na concepção de The Strain.
          Através da picada, o vampiro – chamado aqui de strigoi – transmite uma espécie de verme que se multiplica rapidamente no corpo do hospedeiro até transformá-lo em chupador de sangue. Durante a transição, o hospedeiro passa por mudanças drásticas: perde os cabelos, fica pálido e hipersensível à luz solar, seus órgãos genitais desaparecem, suas orelhas e dentes incisivos crescem e ficam pontudos. No fim, o strigoi fica com uma aparência que remete ao clássico Nosferatu.
         Entretanto, o elemento sobrenatural também faz parte da mitologia criada por Del Toro e Hogan: isso fica claro pelo fato de que os vampiros aqui são todos comandados por um ser primordial conhecido pelo nome genérico de “Mestre”, o qual, por sua vez, é um renegado dos Antigos, os primeiros vampiros da Terra. O Mestre mantém uma forte conexão mental com suas "crias", podendo, além de controlá-los por telepatia, enxergar literalmente através dos olhos deles.
          Mais detalhes sobre a trama serão dados no post sobre a trilogia literária, mas, de modo geral, a série segue o caminho traçado pelos livros com um nível de fidelidade oscilante: a primeira temporada é muitíssimo fiel ao primeiro livro, Noturno; a segunda e a terceira temporada tomam certas liberdades em relação ao roteiro, mas ainda se mantêm no contexto original; a quarta e última temporada se esforça para mesclar a originalidade e a fidelidade adaptando o último livro, Noite eterna.
          Além de ser uma série sangrenta que explora o lado grotesco dos vampiros (à maneira de 30 Dias de Noite), The Strain também se destaca pelo seu apelo feminino. O programa possui duas personagens marcantes inexistentes nos livros, mas que fazem toda a diferença na tela: a hacker bissexual Dutch Velders (Ruta Gedmintas) e a vereadora Justine Feraldo (Samantha Mathis); cada uma com suas habilidades, elas compõem parte vital na resistência e  luta contra a dominação do Mestre.
          Se falta um motivo adicional para ver esta série, basta conferir Richard Sammel no papel de Thomas Eichhorst, o servo mais leal do Mestre, e um dos vilões mais cruéis e carismáticos já representados em produções vampirescas.



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[LIVRO] TRUE BLOOD E A FILOSOFIA (True Blood and Philosophy, 2010*)

sexta-feira, 16 de novembro de 2018.

*Publicação original

True Blood e a Filosofia faz parte de uma coleção de livros sobre a filosofia na cultura pop (cinema, literatura, TV, música, etc.) publicados no Brasil pela editora Madras (a maioria dos títulos) e pela Best Seller. Os livros são compostos basicamente por ensaios reunidos em partes temáticas. Especificamente este livro é organizado em cinco partes muito distintas, cada qual dividida em três capítulos dotados de títulos sugestivos e que, por sua vez, dividem-se em subtítulos para uma abordagem mais organizada dos temas. Os capítulos da obra são escritos por autores diferentes, o que torna a sua organização em partes separadas não apenas útil, mas muito necessária. Em resumo, o conteúdo do livro pode ser simplificado assim (na ordem em que se encontram):

1ª PARTE : A ÉTICA HUMANO-VAMPIRESCA 
1) Transformar ou não transformar: A Ética de fazer vampiros, de Christopher Robichaud, discorre acerca de temas como consentimento, respeito e ética, embasando-se principalmente na filosofia de Immanuel Kant e de seu conceito sobre o imperativo categórico.
2) Fantasiando-se e brincando de ser humano: Assimilação dos vampiros no playground humano, de Jennifer Culver, como o próprio título sugere, reflete sobre assimilação e aceitação através da obediência às regras sociais. Nessa parte, onde a participação do indivíduo na sociedade é representada como um jogo, os fundamentos são embasados na filosofia de John Huizinga e sua definição de jogo.
3) Bichos de estimação, gado e formas de vida superiores, de Ariadne Blayde e George Dunn, filosofa sobre os valores dos seres, quando postos em escala comparativa. Assim, questiona a superioridade dos seres humanos em relação aos demais animais e, naturalmente, da superioridade dos vampiros em relação aos seres humanos. Para tanto, utiliza ideias de Kant (autonomia moral), Aristóteles e Tomás de Aquino.

2ª PARTE: A POLÍTICA DE SER UM MORTO
1) Pacto de sangue: Os direitos e o contrato social vampiresco-humano, de Joseph J. Foy, argumenta sobre a questão dos direitos civis e suas implicações quando sociedade e religião entram em atrito. Aqui duas perspectivas filosóficas ganham destaque: o direito natural de John Locke e o contrato social de John Rawls.
2) Querida, se não podemos matar os humanos, para que serve ser um vampiro?, de William M. Curtis, lida com conceitos sobre política, cidadania e direitos de grupo, evocando princípios aristotélicos sobre política e ética, tolerância e autonomia, além do liberalismo de Kukathas, e a socialização e identidade vampirescas sob a alegoria de Thomas Nagel sobre experiências subjetivas.
3) Sangue de mentira: A política da artificialidade, de Bruce A, McClelland, reflete sobre a inserção social através da artificialidade, baseando-se no consumo do TruBlood como modo de formar consumidores ideais e vulneráveis, suprimindo as identidades.

3ª PARTE: EROS, SEXUALIDADE E GÊNERO
1) Saindo do caixão e do armário, de Patricia Brace e Robert Arp, toma por base o slogan God hates fangs e discorre sobre a natureza sexual vampiresca, suas analogias à homossexualidade e a intolerância social vinculada à religião. Faz também analogias à alimentação e sexo dos vampiros de True Blood.
2) Eu sou Sookie, ouça meu rugido!, de Lillian Craton e Kathryn Jonell, lida com feminismo e independência sexual (tema que é aprofundado na parte seguinte).
3) Sookie, Sigmund e o complexo comestível, de Ron Hirschbein traça paralelos entre a psicanálise freudiana e sua relação com sexo, instinto, controle, dentro e fora do universo de True Blood.

4ª PARTE: O NATURAL, O SOBRENATURAL E O DIVINO
1) Que venham os Bon Temps: Sacrifício, bodes expiatórios e bons tempos, de Kevin Corn e George Dunn, fala do desvio de culpa feito pela massa para manter sua união comunidade, a loucura coletiva da mentalidade de grupo descrita por Nietzsche e posta em prática na 2ª temporada de True Blood em seu culto dionisíaco.
2) Seriam os vampiros não naturais?, de Andrew Terjesen e Jenny Terjesen, explica conceitos de natural, inatural e imoral desde a semântica até as explicações mecanicistas de Descartes.
3) Deus odeia caninos?, de Adam Barkman, desmistifica algumas características religiosas associadas aos vampiros, discute o livre-arbítrio e algumas ideias filosóficas obsoletas, como de Allatius em relação a demônios e possessões.

5ª PARTE: A METAFÍSICA DOS SERES SOBRENATURAIS
1) O coração de um vampiro tem razões que o naturalismo científico é incapaz de compreender, de Susan Peppers-Bates e Josh Rust, debate ideias como existência e universo conforme a metafísica, mencionando Tales, o naturalismo científico e a vida sob o ponto de vista científico, bem como as implicações filosóficas decorrentes dessa perspectiva.
2) Escondendo segredos de Sookie, de Fred Curry, reflete sobre experiências subjetivas da consciência (os qualia) e cita, como exemplo, o espectro invertido de John Locke.
3) Vampiros, lobisomens e metamorfos: Quanto mais eles mudam, mais continuam os mesmos, de Sarah Grubb, encerra o livro retomando a discussão sobre identidade pessoal, levantando conjecturas por meio da teoria corporal, teoria da memória e continuidade psicológica.

True Blood e a filosofia é, a meu ver, um livro riquíssimo em referências e solidez nos argumentos, indispensável aos amantes da série, mas também a quem deseja se aventurar em variados aspectos da filosofia através da deliciosa alegoria vampiresca construída por Alan Ball a partir da obra de Charlaine Harris.

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[FILME] OS GAROTOS PERDIDOS (The Lost Boys, 1987)

quarta-feira, 7 de novembro de 2018.
Após se divorciar, Lucy (Diane Wiest) se muda para a pequena cidade costeira de Santa Carla, na Califórnia, com seus dois filhos, Michael (Jason Patric) e Sam (Corey Haim). Enquanto Sam, o caçula, se distrai frequentando a gibiteria dos Irmãos Frog, Michael vai a uma festa noturna na praia e conhece Star (Jami Gertz), uma misteriosa moça por quem se apaixona. O problema é que Star está ligada a uma gangue de jovens rebeldes e arruaceiros liderados por David (Kiefer Sutherland). Michael acaba se envolvendo com o bando e, pouco depois, passa por uma série de estranhas mudanças físicas e comportamentais sem explicação aparente. É aí que entram em ação os irmãos Alan (Jamison Newlander) e Edgar Frog (Corey Feldman): eles revelam a Sam que são, na verdade, matadores de vampiros, e que Michael está se tornando um desses terríveis seres da noite. Para ajudar o irmão a voltar a ser humano, Sam e os Irmãos Frog precisam encontrar e destruir o vampiro mestre, aquele cujo sangue Michael bebeu inadvertidamente.
          Ao apresentar vampiros no universo adolescente, pode-se dizer que Os garotos perdidos representou, para a cultura pop dos anos 80, o mesmo impacto causado pela série Crepúsculo no final da década de 2000. Evidentemente, a semelhança termina aí, pois os vampiros do filme de Joel Schumacher (o sujeito que mais tarde seria repudiado por destruir a carreira do Batman no cinema) nada têm do espírito politicamente correto característico daqueles sugadores do século XXI. Ao contrário, eles são selvagens e manipuladores, sendo também sedutores quando lhes convêm.
          Um dos aspectos que mais chamam a atenção em Os garotos perdidos é que o filme preserva o máximo de características da mitologia vampírica tradicional: aqui eles são feridos por cruzes, água benta e alho, queimam ao sol, podem ser destruídos com estacas no coração, não têm reflexo, precisam de convite para entrar nas casas, têm caninos pontiagudos, podem voar e dormem em lugares escuros, de preferência suspensos no teto como morcegos.
          Como foi dito no texto sobre Quando chega a escuridão, há bastante semelhança entre este e aquele filme: além de ambos serem de 1987, contam com uma trama romântica juvenil que ocorre no seio de uma gangue de vampiros marginais e sanguinários.
          Os garotos perdidos é, enfim, uma das produções vampirescas mais marcantes sobre o tema já realizadas, merecendo o status de cult que possui entre sua legião de fãs; é também um filme estiloso e nostálgico, com a cara dos anos 80 (os cortes de cabelo e penteados da turma de David são clássicos). Nos aspectos técnicos ele também se destaca, com boa direção de arte, maquiagem, efeitos e trilha sonora: é impossível ouvir “Cry little sister” sem associar a música imediatamente ao filme.

Mais de vinte anos depois do filme original, foram lançadas duas sequências inteiramente descartáveis:

Garotos perdidos 2: A Tribo (Lost boys: The Tribe, 2008) dirigido por P.J. Pesce, nada acrescenta de relevante ao primeiro. O único ator remanescente é Corey Feldman, mais uma vez na pele do caçador de vampiros Edgar Frog. Dessa vez ele é procurado por um jovem cuja irmã foi infectada e está prestes a se tornar uma morta-viva definitivamente. Afora as cenas gore, é um filme chato, insosso e sem personalidade. Ele tenta ousar com algumas cenas mais violentas e elaboradas do que as do original (algo fácil, já que os efeitos especiais evoluíram muito de lá para cá), mas tais cenas são poucas e não compensam o andamento desinteressante do filme. O apelo sexual gritante também não ajudou esta produção a se destacar positivamente.




Garotos perdidos 3: A Sede (Lost boys: The Thirst, 2010) dirigido por Dario Piana, é ligeiramente mais consistente que o segundo, mas igualmente dispensável. Aqui ao menos há algumas conexões com o primeiro filme: uma referência a Michael e Star, a presença de Alan e uma homenagem a Sam. Quanto à trama, à primeira vista parece ter sido tirada de True Blood, falando sobre o uso de sangue de vampiro como uma droga; entretanto, se na série da HBO o propósito do uso de “V” era o efeito alucinógeno e afrodisíaco, neste filme o objetivo é bem mais pretensioso... e clichê: formar um exército de vampiros a partir do sangue do “original”.


Pessoalmente, acho Os garotos perdidos um filme completo e irretocável; uma mistura muito bem dosada de terror, romance e comédia. O fato de as continuações terem sido lançadas duas décadas depois acabou por torná-las ainda mais descaracterizadas e distantes do original. Se, hipoteticamente, essas sequências tivessem sido produzidas ainda entre o final dos anos 80 e meados da década de 90, talvez fossem melhores, pois, mesmo com roteiros fracos, ao menos teriam aquela atmosfera saudosista e estilo marcante do primeiro.

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[FILME] KISS OF THE DAMNED (2012)

terça-feira, 30 de outubro de 2018.

Seduzida pelo escritor Paolo (Milo Ventimiglia, de Autópsia de um crime), a vampira Djuna (Joséphine de La Baume) não resiste à paixão recíproca, entregando-se ao rapaz depois de muito hesitar e revelar sua natureza condenada, tal como é representada no título do filme. A partir daí desenvolve-se uma ardente relação romântica entre eles, com Paolo cedendo à tentação de tornar-se ele também um vampiro para passar a eternidade com sua amada. Posteriormente, Djuna apresenta Paolo ao círculo de amigos dela, o qual se compõe basicamente de um grupo de vampiros “civilizados” supervisionados por Xenia (Anna Mouglalis). Paolo não encontra dificuldades ao lidar com esses vampiros que são, aliás, muito receptivos; o problema está na chegada repentina de Mimi (Roxane Mesquida), irmã de Djuna. Mimi também é uma vampira mas, ao contrário da irmã, que é culta, discreta e tem algum senso de moralidade, ela é o oposto, revelando-se perigosa e maligna, disposta a infernizar a vida de Djuna e pôr em risco toda a comunidade vampírica.
          Apesar de bem menos conhecido do que Amantes eternos (Only lovers left alive), de 2013, Kiss of the damned (com o título nacional genérico O beijo do vampiro) apresenta muitas similaridades com o filme de Jim Jarmusch, desde o tom gótico e melancólico que remete ao estilo de Fome de viver (comentado AQUI) até a trama central do casal de amantes vampiros atormentado pela irmã inconsequente e indiscreta da protagonista. Porém, particularmente considero Kiss of the damned mais ágil e menos contemplativo do que Amantes eternos, que achei francamente arrastado e cansativo, embora seja de fato melhor em termos técnicos.
          O vampirismo é tratado aqui numa perspectiva que concilia o tradicionalismo da mitologia (com vampiros que evocam sensualidade, queimam ao sol e têm presas) com elementos “modernos”, como o fato de que eles podem sobreviver ingerindo somente sangue animal (se optarem por esse estilo de vida) e são despojados da maioria dos “superpoderes” convencionais: eles não hipnotizam, não voam e com certeza não se transformam em morcegos.
          Dirigido por Xan Cassavetes, Kiss of the damned possui alguns méritos que valem a conferida; a fotografia é muito boa e a trilha sonora é bastante evolvente, contribuindo para a imersão do espectador naquela atmosfera de sedução e morte. Além disso, a produção abre espaço para algumas discussões relevantes no seu contexto, como culpa, redenção e moral.

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[QUADRINHOS] INTERVIEW WITH THE VAMPIRE (1991 - 1994)

         Publicada pela Innovation Comics, Interview with the vampire foi a primeira transposição do romance homônimo de Anne Rice para out...