Baseada na
Trilogia
da Escuridão (
The Strain Trilogy),
escrita por Guillermo Del Toro e Chuck Hogan, a série
The Strain foi criada em colaboração com os próprios autores, que, além de produtores, também
participaram eventualmente como roteirista (Hogan) e diretor (Del Toro). Composta
por quatro temporadas, a série foi lançada já depois do
hype causado pela moda vampiresca adolescente inaugurado por
Crepúsculo. Isso foi uma decisão acertada, pois o vampirismo apresentado em
The
Strain está longe de ter quaisquer elementos românticos ou eróticos.
A série se inicia com a investigação de um estranho
acidente envolvendo um avião que chega ao aeroporto JFK trazendo uma carga
suspeita e a possibilidade de uma ameaça de risco biológico a bordo. Entra em
cena o epidemiologista – e protagonista – Dr. Ephraim Goodweather (Corey Stoll)
com sua parceira, Nora Martinez (Mia Maestro), tentando detectar a ameaça. O que eles presenciam é um espetáculo de horror que está além das regras da biologia e da lógica científica.
Cada vez mais confusos e abismados, eles são forçados
a deixar o ceticismo de lado quando conhecem o velho Abraham Setrakian (David Bradley),
antiquário judeu e sobrevivente do Holocausto, que parece saber exatamente a natureza do mal que eles precisam enfrentar.
Aos poucos, Eph, Nora, Setrakian e outros personagens
veem uma praga de vampiros disseminar-se por Nova Iorque de forma irreversível e
incontrolável, ultrapassando seus limites, espalhando-se pela América e ameaçando dominar todo o planeta em
poucos dias. A série se assemelha às histórias de apocalipse zumbi, como os filmes de George Romero e a série
The Walking Dead, substituindo os cadáveres famintos por carne humana pelos bebedores de sangue. Nesse aspecto, a semelhança maior, entretanto, é com o clássico livro
Eu sou a Lenda, de Richard Matheson, que fala de um futuro pessimista onde também uma praga vampírica assola o planeta.
É interessante
que o vampirismo aqui é representado sob uma perspectiva biológica, como uma
verdadeira epidemia altamente contagiosa. Os vampiros transmitem a “infecção”
através de mordidas dadas, não da forma clássica (caninos cravados no pescoço),
mas por meio de um tipo de ferrão muscular que ejetam da boca no momento de
atacar. Esse elemento, em particular, lembra bastante o modo como os vampiros
atacam em
Blade 2, filme dirigido por Del Toro e que parece ter servido como inspiração
parcial na concepção de
The Strain.
Através da picada, o vampiro – chamado aqui de
strigoi – transmite uma espécie de verme
que se multiplica rapidamente no corpo do hospedeiro até transformá-lo em
chupador de sangue. Durante a transição, o hospedeiro passa por mudanças drásticas:
perde os cabelos, fica pálido e hipersensível à luz solar, seus órgãos genitais
desaparecem, suas orelhas e dentes incisivos crescem e ficam pontudos. No fim,
o strigoi fica com uma aparência que remete ao clássico
Nosferatu.
Entretanto, o elemento sobrenatural também faz parte
da mitologia criada por Del Toro e Hogan: isso fica claro pelo fato de que os
vampiros aqui são todos comandados por um ser primordial conhecido pelo nome
genérico de “Mestre”, o qual, por sua vez, é um renegado dos Antigos, os
primeiros vampiros da Terra. O Mestre mantém uma forte conexão mental com suas "crias", podendo, além de controlá-los por telepatia, enxergar literalmente através dos olhos deles.
Mais detalhes sobre a trama serão dados no post sobre
a trilogia literária, mas, de modo geral, a série segue o caminho traçado pelos
livros com um nível de fidelidade oscilante: a primeira temporada é muitíssimo fiel
ao primeiro livro,
Noturno; a segunda e a terceira temporada tomam certas
liberdades em relação ao roteiro, mas ainda se mantêm no contexto original; a quarta
e última temporada se esforça para mesclar a originalidade e a fidelidade adaptando
o último livro,
Noite eterna.
Além de ser uma série sangrenta que explora o lado
grotesco dos vampiros (à maneira de
30 Dias de Noite),
The Strain também se destaca pelo seu
apelo feminino. O programa possui duas personagens marcantes inexistentes nos
livros, mas que fazem toda a diferença na tela: a hacker bissexual Dutch
Velders (Ruta Gedmintas) e a vereadora Justine Feraldo (Samantha Mathis); cada
uma com suas habilidades, elas compõem parte vital na resistência e luta contra a dominação do Mestre.
Se falta um motivo adicional para ver esta série,
basta conferir Richard Sammel no papel de Thomas Eichhorst, o servo mais leal
do Mestre, e um dos vilões mais cruéis e carismáticos já representados em
produções vampirescas.