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[QUADRINHOS] INTERVIEW WITH THE VAMPIRE (1991 - 1994)

sexta-feira, 5 de agosto de 2022.


       Publicada pela Innovation Comics, Interview with the vampire foi a primeira transposição do romance homônimo de Anne Rice para outra mídia. Trata-se de uma adaptação da obra integral, diferenciando-se, portanto, de Entrevista com o vampiro: A história de Cláudia. Foi dividida em 12 edições publicadas entre agosto de 1991 e janeiro de 1994, de acordo com o Mycomicshop.com. O site também registra a periodicidade da publicação (que oscilava entre bimestral e trimestral) e um resumo de cada edição. 

    O roteiro da adaptação em quadrinhos foi escrito por Cynthy J. Wood e Faye Perozich, com as artes de Joseph Phillips, Chris Moeller, Daerick Gross e Alexander Jubran. Sinceramente, todos são nomes desconhecidos por este que vos fala, mas o trabalho dessa equipe foi bastante satisfatório neste trabalho, especialmente se levarmos em conta que a publicação foi concluída antes do lançamento do filme de Neil Jordan, também de 1994, mas que só estreou no final daquele ano.

Infelizmente, esses quadrinhos não foram publicados no Brasil; aliás, há quem nem saiba de sua existência. Então, para dar um aperitivo aos fãs de Anne Rice, fiz uma tradução amadora da primeira edição da publicação, disponível NESTE LINK. Para visualizar o arquivo, basta digitar a senha sangueantigo (assim mesmo, tudo junto e minúsculo). Por outro lado, quem quiser se aventurar pelo insubstituível original em inglês, pode acessar todas as doze edições online AQUI.


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[HQ] ENTREVISTA COM O VAMPIRO: A HISTÓRIA DE CLÁUDIA (Interview with the Vampire: Claudia's Story, 2012)

quinta-feira, 26 de julho de 2018.

Entrevista com o vampiro é provavelmente o livro mais famoso de Anne Rice, motivo pelo qual já foi adaptado na década de 90 para o cinema num filme de grande sucesso e para quadrinhos (não publicados no Brasil). O diferencial desta nova adaptação em HQ, lançada no Brasil em 2015, é que desta vez a história é “filtrada” pela perspectiva de Cláudia, a pequena vampira eternamente aprisionada em corpo infantil que acompanha Louis e Lestat no primeiro volume das Crônicas Vampirescas.
Mesmo quem não leu o livro – mas já viu o filme de Neil Jordan – sabe que Entrevista com o vampiro começa muito antes de Cláudia entrar na história e continua mesmo após o triste destino dela. Assim sendo, esta adaptação de Ashley Marie Witter é narrada em 1ª pessoa por Cláudia e acompanha apenas a sua vida imortal desde o momento de seu “nascimento” até o desfecho no Teatro dos Vampiros. 
          O traço de Witter é belíssimo, rebuscado e profundo, transmitindo a densidade e a atmosfera gótica do livro. Optar pelo tom esmaecido de sépia foi uma ideia muito acertada, pois produz um efeito de contraste de cor marcante nas cenas em que há sangue presente. Isso porque afora o sépia, a única cor predominante é o vermelho vivo do sangue.
          A concepção dos personagens foi outro acerto: Lestat, Cláudia, Armand, Santiago, entre outros, estão bem do modo que eu imaginava ao ler o livro; só não gostei da representação do Louis: o cabelo e as expressões dele me pareceram extraídas de mangá, destoando dos traços dos demais personagens. Contudo, como o visual dos personagens é algo muito subjetivo, esta minha “implicância” não deve ser levada em conta numa análise mais imparcial da obra.
          É claro que, por mais fiel que esta adaptação seja, ela não deve ser lida como “substituta” para o livro, pois, como foi mencionado, ela aborda apenas uma fração do livro (aproximadamente 2/3 dele); porém funciona maravilhosamente como um complemento da obra original, uma nova visão sobre ela.

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[HQ] MIRZA: A VAMPIRA (2005)

segunda-feira, 16 de julho de 2018.

Mirza é uma personagem criada por Eugênio Colonnese, artista italiano naturalizado brasileiro, um dos mais criativos mestres dos quadrinhos nacionais. Criada na década de 1960, para acompanhar a popularidade das revistas de terror, a personagem obteve bastante sucesso editorial, com suas aventuras repletas de sensualidade e horror sendo constantemente reeditadas.
Antes de falar especificamente sobre as duas histórias contidas em Mirza: A vampira, penso ser importante mencionar os detalhes básicos sobre a origem vampiresca da personagem, a qual não é mostrada nesta edição, mas comentada no material extra situado depois das histórias. Em sua vida humana, Mirza foi Mirela Zamanova (note-se a primeira sílaba de cada nome), sétima filha de uma família nobre que morava na região da Cracóvia no final do século XIX. Tal família acaba indo à falência e sendo amaldiçoada, vindo daí a condição vampírica de Mirela, que depois de sua conversão adota o nome Mirza.
          Na concepção de Colonnese para Mirza, os vampiros possuem as clássicas presas afiadas, temem crucifixos, podem se transformar em morcego, “infectam” as vítimas simplesmente com suas mordidas (não sendo necessário todo aquele ritual de troca de sangue) e podem ser mortos com as famosas estacadas ou punhaladas no coração. Entretanto, diferente da maioria das histórias tradicionais, Mirza pode andar livremente à luz do sol. Em suas histórias, Mirza frequentemente conta com a ajuda de Brooks, um fiel criado corcunda, não vampiro, mas que conhece a “condição” de sua ama. Aliás, na segunda história, “Assunto entre vampiros”, fica bastante evidente a sua lealdade a Mirza.
          Agora, finalmente sobre as histórias: “A noite dos sequestradores”, apresenta uma trama que pode ser considerada bastante corriqueira ao cenário brasileiro, se não fosse pela presença do elemento vampiro: conspirações políticas e atentados à vida de autoridades (neste caso, um prefeito), por motivos passionais e financeiros. Na trama, Mirza descobre um esquema de corrupção contra um prefeito e, como tem um particular apetite por seres humanos abjetos, decide vingar-se dos indivíduos envolvidos e impedir que eles tenham êxito nesse plano. Nessa história, Colonnese introduz um outro personagem célebre, que inclusive inspirou diversas cópias internacionais famosas: O Morto do Pântano, criado como um contraponto a Mirza. Se Mirza é linda, sensual e, vez por outra, age conforme uma espécie de senso moral, o Morto do Pântano é uma criatura vil, repugnante, decrépita e maligna.
         Na segunda história, “Assunto entre vampiros”, Mirza é vítima de duas armadilhas orquestradas por alguém chamado Whig, que é um vampiro “camuflado”. Depois de incitar um casal de ladrões a invadir a mansão de Mirza, Whig arma uma nova emboscada, contando com os sentimentos de revolta e superstição dos aldeões que moram no pequeno povoado próximo à moradia da vampira.
           As duas histórias são curtas, tendo pouco mais de 20 páginas cada uma e o traço de Colonnese é tão dinâmico que parece dar vida fora do papel para seus personagens. É, enfim, uma leitura essencial, tanto para os apreciadores de quadrinhos (sobretudo os nacionais) quanto para aqueles que adoram uma vampira no estilo femme fatale, com pouca roupa, mas muita determinação, do tipo que chuta o pau da barraca e chega "causando": Lady Drácula do mundo moderno.



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[HQ] DRÁCULA DE BRAM STOKER (2010)

segunda-feira, 11 de junho de 2018.

Durante a minha adolescência cheguei a ler alguns livros da coleção Veredas, uma série de obras de autores brasileiros direcionada ao público juvenil. A bem da verdade, eu gostava mais das ótimas ilustrações de Eugênio Colonnese do que das histórias propriamente, embora em geral fossem boas tramas. Assim, de certa forma, acabei me familiarizando com o traço de Colonnese e, ao saber que ele havia feito uma adaptação em quadrinhos de Drácula, tive de conferir esse trabalho.
Publicada originalmente na década de 1960, a adaptação de Colonnese é uma releitura simples, mas eficiente, do clássico vampiresco por excelência de Stoker. Gostei particularmente do início, que apresenta a viagem de Jonathan Harker à Transilvânia de forma quase idêntica a como eu imaginava ao ler a obra original. Como no romance, a graphic novel compõe-se em grande parte de registros epistolares, como os diários de Harker, Seward e do capitão do navio Demeter. O modo como o ilustrador (também responsável pelo roteiro) representou os personagens também me agradou, bem como todo o universo gótico da obra, marcado por tons negros, azulados e roxos, evocando a atmosfera predominantemente noturna do livro. Em sua versão original, essa HQ foi publicada em preto e branco, muito comum na década de 60, mas acho que as cores de Miguel Marques e Geraldo Filho deram uma perspectiva interessante à história, sem, contudo, descaracterizá-la. Excluindo-se algumas incoerências gramaticais (poucas, mas notáveis), a experiência de ler essa releitura foi bastante satisfatória para mim.
          Essa adaptação possui ainda, no final, um ótimo apêndice, com informações sobre o escritor Bram Stoker, sobre o desenhista Eugênio Colonnese, uma matéria sobre o percurso dos vampiros (destacando Drácula) no cinema e, por fim, como não poderia deixar de ser, um texto detalhado sobre produções vampirescas no universo dos quadrinhos. Nesse último ponto, que considerei muito instrutivo, descobri que o próprio Colonnese tem destaque com uma produção vampiresca original: trata-se de Mirza (mais detalhes AQUI), vampira criada por ele e que fez bastante sucesso nos quadrinhos do final dos anos 60.
          Avaliando esta graphic novel de Drácula como um todo, creio que a mesma é muito válida para um primeiro contato com a obra de Stoker, mas também como um acréscimo interessante para quem já leu o romance integral e (como é o meu caso) é apaixonado por esse livro. 

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[HQ] 30 DIAS DE NOITE (30 Days of Night, 2002 / 2003)

terça-feira, 29 de maio de 2018.


          [AVISO: O 3º E 4º PARÁGRAFOS CONTÊM SPOILERS; POR ESTA RAZÃO, ESTÃO DESTACADOS EM COR DIFERENTE]

          Como amante de tramas vampirescas, estou sempre vasculhando em busca de novas histórias sobre o tema em diferentes mídias. Há algum tempo, justamente procurando por algo original, assisti a um filme que chamou minha atenção pela violência e selvageria com as quais representava esses seres noturnos: “30 dias de noite”. Os créditos do filme informavam que o mesmo era adaptado de uma HQ e senti a necessidade premente de conhecer a obra gráfica. Mesmo não sendo particularmente fã de quadrinhos, abri algumas exceções e li não apenas a graphic novel que originou o filme de David Slade, mas também a sequência, “Dias sombrios” (que também foi adaptado para o cinema).
          “30 dias de noite” é uma cultuada série de quadrinhos de terror originalmente criada por Steve Niles e desenhada por Ben Templesmith. O título é uma referência à primeira história, que se passa na pequena cidade de Barrow, no Alasca onde, a cada inverno, o sol fica ausente por aproximadamente um mês, deixando a região às escuras durante todo esse tempo. A premissa da série é que uma horda de vampiros aproveita a escuridão para atacar a cidade e dizimar a população, favorecidos pela ausência da luz solar – que pode destruí-los – e pelo isolamento local causado pelo inverno rigoroso, que impossibilita os pedidos de socorro dos habitantes.
          Na primeira história, o xerife de Barrow, Eben Olemaun, sacrifica-se para salvar as poucas pessoas que sobreviveram ao massacre implacável dos vampiros. “Dias sombrios” acompanha uma dessas sobreviventes, Stella (esposa de Eben) após os eventos bárbaros ocorridos em Barrow.
          Determinada a vingar a morte – ainda que heroica – do marido, Stella deixa a cidade devastada e parte para Los Angeles, com o propósito de provar publicamente a existência dos vampiros, exterminando-os com a ajuda de um pequeno grupo de colegas e buscando algum apoio das autoridades que, entretanto, não a levam a sério. Além da dificuldade de levar os vampiros à luz (literal e figurativamente), Stella passa a ser perseguida por Lilith, a “mãe” dos sanguessugas e ainda tem de lidar com algumas descobertas que desestabilizam tudo em que ela acredita.

          O que mais me chama a atenção nos quadrinhos de “30 dias de noite” e “Dias sombrios” é o vínculo sólido que liga as histórias: tudo é muito contínuo e progressivo, razão pela qual achei ambas igualmente ótimas, sem oscilações de qualidade no roteiro quanto a “melhor” ou “pior”.
          Naturalmente, o aspecto visual é outro ponto interessantíssimo (como, aliás, deve ser, em se tratando de HQs): como na história anterior, os quadrinhos exploram os tons sombrios, principalmente cinza, das imagens, contrastando de forma impactante com tons mais carregados de preto e vermelho, que evocam a escuridão e o sangue, respectivamente. É interessante notar que são quadrinhos violentos e que esse jogo de tons escuros, longe de eclipsar essa violência, funciona de forma oposta, dando uma perspectiva underground às imagens.
          Ratificando o que afirmei no início, não sou fã de quadrinhos, portanto meu conhecimento sobre o assunto é bastante limitado. Contudo, a parceria Niles/Templesmith na criação do universo sombrio de “30 dias de noite” me surpreendeu por sua originalidade, de modo que, logo que possível, procurarei outros títulos da série, esperando que mantenha o padrão de qualidade, mesmo com a esporádica troca de roteiristas e ilustradores.


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[QUADRINHOS] INTERVIEW WITH THE VAMPIRE (1991 - 1994)

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