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[FILME] INFECTADO (Afflicted, 2013)

terça-feira, 25 de setembro de 2018.

Dois amigos decidem fazer um longo tour ao redor do mundo, visitando pontos turísticos dos seis continentes, a fim de registrar e compartilhar tudo com os seguidores do seu canal na internet. Entretanto, essa não é a principal motivação da dupla; um deles – Derek – foi diagnosticado com uma grave e imprevisível doença, uma espécie de aneurisma, que pode fulminá-lo de uma hora para outra. Assim, essa viagem pode significar a despedida dele para a vida.
Depois de passar pela Espanha, Derek Lee e Clif Prowse (verdadeiros nomes dos atores, que também são os roteiristas e diretores) chegam a Paris, onde, durante uma balada, Derek conhece uma moça com quem espera “se dar bem”. As coisas não saem como o esperado e Clif encontra o amigo machucado e com estranhas feridas. A princípio eles não dão muita atenção ao ocorrido e continuam a viagem, mas com o passar dos dias, outros problemas acometem Derek: ele fica sonolento, intolerante a comida e extremamente sensível à luz solar, além de passar por uma gradual transformação física.
          Infectado é um filme do tipo found footage, estilo do qual eu não sou particularmente fã; já cheguei, inclusive, a citar um outro filme nesse molde, O assassino das sombras, presente na lista 10 filmes de vampiro para morrer antes de ver. Contudo, diferente daquele filme, que é basicamente um cruzamento pavoroso (no pior sentido) de A bruxa de Blair e O bebê de Rosemary, este Infectado  é bem mais plausível dentro do que se propõe. Ao invés de estar investigando relatos sobrenaturais, os protagonistas aqui se deparam inesperadamente com o vampirismo, duvidando, no início, que seja isso que está acontecendo com Derek; há até um momento em que gozam das habilidades adicionais que ele não adquiriu, como o poder de se transformar em névoa, comandar animais e precisar de um convite para entrar nas casas.
          O conceito de vampirismo apresentado neste filme combina elementos que lembram Eu sou a lenda (o filme com Will Smith) e até The Strain, na representação e nas características vampíricas. Não há nada do glamour, sensualidade ou nobreza dos vampiros modernos ou dos clássicos aristocráticos. Aqui, o vampiro fica selvagem e incontrolável quando passa muito tempo sem se alimentar, não possui presas, têm velocidade e força sobre-humanas, consegue escalar e dar grandes saltos com extrema habilidade. Além disso, seu organismo só aceita sangue humano; sangue de animais ou qualquer tipo de comida são violentamente expelidos em forma de vômito. 
          Um conceito muito interessante, abordado neste filme foi a questão da imortalidade: o vampirismo é, de fato, uma maldição interminável e o “infectado” não pode morrer. Derek descobre isso depois de cometer um ato bárbaro e tentar o suicídio, devido ao remorso (pois ele conserva a consciência de seus atos depois de realizados). Mais adiante ele percebe que a estaca no coração também é um mito. A única fraqueza verdadeira é a luz do sol, e ainda assim ela não provoca aquele “efeito tocha” tão conhecido. Causa, sim, uma dor insuportável, acompanhada de queimaduras gravíssimas (destaque para os ótimos efeitos práticos).
          Infectado foi muito bem aceito pela crítica, tendo uma boa média no Rotten Tomatoes e chegando, inclusive, a ganhar alguns prêmios importantes em festivais dedicados ao gênero. Vale a conferida.


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[LIVRO] O SANGUE DO CORDEIRO (Blood of the Lamb, 2015*)

quarta-feira, 19 de setembro de 2018.

* Publicação no Brasil

O título do livro de Sam Cabot – na verdade, pseudônimo da parceria Carlos Dews e S.J. Rozan – sugere tratar-se de uma obra com aspectos religiosos e, talvez, sobrenaturais. De fato, é um thriller que une elementos referentes a religião, especificamente ao catolicismo, com um toque sobrenatural proporcionado pela presença de vampiros. Mas, não vampiros no sentido clássico e tradicional como representados no cinema e na literatura antes da geração Crepúsculo.  Os vampiros de O sangue do cordeiro pouco têm de sobrenatural, a não ser a imortalidade, rapidez, resistência e força sobre-humanas, fascinação sobre os mortais, além de, claro, a sede de sangue humano. O restante do glamour e poder conferido aos sanguessugas (como habilidade de se transformar em animais, voar e hipnotizar) foi suprimido pelos autores porque eles preferiram fazer uma abordagem mais humanizada e científica sobre o tema. Assim o vampirismo aqui é resultado de uma mutação causada por um micro-organismo que altera o DNA humano. Aliás, talvez para se dissociar das ideias fantasiosas a seu respeito, os vampiros nem são chamados assim; preferem o termo “noantri” ("nós outros"), enquanto se referem aos seres humanos mortais como “inalterados”.
          A trama se passa em Roma, principalmente no rione de Trastevere, mas também no Vaticano, locais que os protagonistas percorrem em busca de um documento secreto escondido há seis séculos que está prestes a vir à tona, e cujo conteúdo, se indevidamente revelado, pode abalar as bases da Igreja Católica e, consequentemente, do mundo noantri. A premissa lembra Dan Brown (a quem a obra é comparada na contracapa), particularmente o livro Anjos e demônios, mas enquanto lá a dupla de protagonistas é formada por uma cientista e um simbologista, aqui o par de heróis é ainda mais improvável: um padre e uma vampira, ambos historiadores. Mesmo pertencendo a “espécies” diferentes, eles precisam se unir na busca pela Concordata, pois sua divulgação será desastrosa tanto para os noantri quanto para os inalterados, levando a humanidade ao caos.
          Em meio a perseguições, trapaças e correria o padre Thomas e a vampira Livia seguem as pistas secretamente deixadas pelo noantri que roubou a Concordata da Biblioteca do Vaticano há mais de 150 anos e a escondeu em algum lugar de Roma. As pistas são poemas enigmáticos escondidos em igrejas, os quais apontam sistematicamente para a próxima.  Um ponto muito positivo deste livro é que ele possui dois mapas detalhados: um de Roma, destacando a Cidade do Vaticano, e outro especificamente de Trastevere, que é onde se encontra a maioria das igrejas, ruas e outros locais citados na obra. Isso facilita bastante para o leitor se situar enquanto acompanha o trajeto dos personagens. Outro bônus muito interessante é o posfácio da obra, o qual é formado por uma lista de noantri historicamente importantes; lista essa que possui nomes de escritores, músicos, políticos e personagens bíblicos, entre outras “celebridades”.
          Quanto ao titulo do livro, é explicado (ou melhor, subentendido) com uma revelação chocante feita já próximo ao final, envolvendo figuras proeminentes do Cristianismo; algo que poderia até deixar o Vaticano mais indignado do que ficou com O código Da Vinci, se não fosse pelo fato de que dessa vez estamos diante de seres que – feliz ou infelizmente – não existem. 

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[FILME] ENTREVISTA COM O VAMPIRO (Interview With the Vampire, 1994)

terça-feira, 11 de setembro de 2018.


Com roteiro escrito pela própria autora Anne Rice, Entrevista com o vampiro é uma das mais notáveis produções vampirescas lançadas no decorrer dos anos 90, ficando no mesmo patamar do clássico Drácula de Bram Stoker, de Coppola (comentado AQUI). Dirigido por Neil Jordan (que a autora ajudou a escolher por gostar de seu trabalho em A companhia dos lobos), o filme é uma adaptação do primeiro volume da longa série literária conhecida no Brasil como Crônicas Vampirescas.
Protagonizado por Brad Pitt, Tom Cruise e Antonio Banderas, além da então pequena Kirsten Dunst, o filme tem uma legião de fãs que aprovaram a adaptação, mas, inevitavelmente, também conta com um número significativo de leitores menos impressionáveis e mais exigentes da obra de Rice, os quais criticam a produção, em especial pela escolha dos atores. Isso porque Cruise, Banderas e até Dunst interpretam personagens muito mais jovens do que os atores aparentam; Banderas, principalmente, interpreta Armand, um vampiro descrito no livro como um adolescente ruivo. Particularmente, porém, achei a ideia de um Armand com aparência de adulto muito plausível neste filme, porque é mais fácil acreditar na mentira de que ele é o vampiro mais velho que existe (como ele afirma para Louis) aparentando ser mais velho do que Brad Pitt (que interpreta Louis) do que se escolhessem um ator adolescente. Não creio que Banderas pudesse permanecer sendo Armand se, hipoteticamente, os demais livros fossem adaptados para o cinema, mas como filme isolado ele se sai muito bem.
Quanto a Tom Cruise, a própria Rice inicialmente torceu o nariz para a escolha dele para viver Lestat, apelidado nas Crônicas de Príncipe Moleque, devido à sua pouca idade e temperamento inquieto. De fato, Cruise não corresponde à imagem concebida pela escritora para seu personagem mais querido, mas, a despeito disso, considero sua atuação impecável, tão marcante quanto Gary Oldman como Drácula. Cruise apresenta um Lestat hedonista, sensual, ambíguo e por vezes sarcástico que funciona em perfeita sintonia com a atuação mais emotiva de Pitt como o atormentado Louis. Não menos importante é a atuação arrebatadora de Kirsten Dunst como a voluntariosa Claudia, a pequena vampira “filha” de Louis e Lestat.
Em relação à trama, pouco há a ser falado que já não tenha sido abordado especificamente no texto sobre o livro Entrevista com o vampiro. Afora uma ou outra modificação na história original (como as circunstâncias que levaram o Louis humano à depressão e, posteriormente, a conhecer Lestat e a peregrinação de Louis pela Europa antes de chegar a Paris), o roteiro é bastante fiel à obra escrita, o que demonstra o respeito da autora pelos leitores e, mais que isso, o perfeccionismo dela. Juntamente com Jordan, ela procurou preservar o máximo possível dos elementos característicos do livro e do universo criado por ela, como o teor gótico da história e a sensualidade dos vampiros (nesse aspecto, de um tom perceptivelmente homoerótico).  Figurinos, fotografia e direção de arte são fatores que acentuam ainda mais o capricho da obra. Além disso, há ainda os ótimos efeitos especiais práticos, usados com inteligência e sem espalhafato, apenas nos momentos em que são realmente necessários – como na tentativa de assassinato de Lestat cometida por Cláudia. Felizmente, na década de 1990 o cinema ainda não tinha sido invadido pelo preguiçoso e tosco CGI de hoje. A cena que usa mais efeitos é o incêndio do Teatro dos Vampiros, e ainda assim não me pareceu exagerada ou falsa como acontece em qualquer “épico” atualmente. A moderação não deveria ser tão subestimada.

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[LIVRO] OS ANTIQUÁRIOS (Los Anticuarios, 2010*)

terça-feira, 4 de setembro de 2018.

* Ano da publicação original

Vampiros são, certamente, os seres sobrenaturais mais populares da literatura fantástica; entretanto, na maioria dos livros protagonizados por eles, as histórias se passam na Europa ou na América do Norte, que geralmente são as terras natais dos próprios autores. Os antiquários, de Pablo De Santis também segue essa ideia de ser ambientado na mesma terra de seu autor, mas é inovador pela peculiaridade de se passar na América Latina, mais especificamente na Argentina.
Na história, o jovem Santiago Lebrón começa a trabalhar na seção de esoterismo de um jornal em Buenos Aires, na década de 1950. A princípio ele se mostra inseguro, pois é cético em relação ao sobrenatural e está naquele trabalho apenas porque o redator anterior morreu recentemente. Pouco tempo depois, Santiago toma conhecimento do Ministério do Oculto, órgão secreto responsável justamente por investigar e apurar a veracidade de fatos e relatos envolvendo o sobrenatural. Recrutado pelo Ministério do Oculto, Santiago acompanha algumas reuniões e descobre o interesse de seus membros – em geral, acadêmicos – pelos antiquários, pessoas aparentemente comuns, mas que são imunes à passagem do tempo e padecem de uma constante ânsia por sangue, a qual chamam de sede primordial.
A leitura de Os antiquários faz lembrar em muitos aspectos A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, pois também é uma obra metalinguística que homenageia o universo da literatura e o amor aos livros. Os antiquários também é narrado em 1ª pessoa por Lebrón, o qual lembra muito o protagonista de Zafón, Daniel Sempere. Como Sempere, Santiago passa a trabalhar numa livraria, depois de se unir aos antiquários. Ainda assim, dou predileção a este livro, porque, mesmo lidando com o sobrenatural, considero-o mais “pé no chão” e menos mirabolante do que o de Zafón, além de ser, evidentemente, muito mais breve e completo, sem a necessidade de sequências.
Os antiquários têm esse nome porque são seres melancólicos que pertencem ao passado, gostam de colecionar e trabalhar com objetos antigos e detestam mudanças, novidades e tecnologia, preferindo ficar escondidos e ignorados na sua quietude.
De Santis despojou os vampiros de todo glamour e de quase todas as características clássicas associadas a essas criaturas: os antiquários não têm caninos longos, não voam, não se transformam em morcegos ou névoa, não dormem em caixões, não têm velocidade ou força sobre-humana e não sabem hipnotizar. Quanto à luz solar, não causa neles o efeito fatal de “tocha humana”, mas provoca um grande mal-estar quando expostos diretamente, mistura de dor e náusea; a despeito disso, podem levar uma vida diurna relativamente normal. O único “superpoder” dos antiquários é o carmen, um truque mental no qual eles induzem as pessoas a vê-los transfigurados como pessoas já falecidas. Com uma abordagem similar à adotada em Fome de viver, de Whitley Strieber (comentado AQUI), o autor reduziu o vampirismo aos seus dois aspectos fundamentais: a imortalidade e a sede de sangue. Ainda assim, esses fatores são “contornáveis” e parciais: os antiquários são imortais apenas no sentido de que não envelhecem e não adoecem, mas são suscetíveis à morte, quando provocada através de violência; quanto à necessidade de sangue, ela pode ser controlada com o elixir, substância consumida por eles, e que tem a propriedade de suprimir temporariamente seus impulsos assassinos. Contudo, nem sempre o elixir é suficiente ou está disponível, o que faz com que os antiquários sucumbam à sede primordial. Aliás, em outros dois pontos Os antiquários lembra Fome de viver: em ambos os livros a palavra “vampiro” não é empregada em nenhum momento; além disso, como não possuem presas, eles extraem o sangue de forma “artificial” (a imagem da capa é autoexplicativa).
O livro guarda ainda certa semelhança com O código Da Vinci: na trama, há rumores sobre a existência de um livro que guarda um conhecimento muito cobiçado pelos antiquários – sobretudo por Santiago, que desenvolve uma obsessão por ele: o Ars Amandi. Entretanto, como o críptex do best-seller de Dan Brown, esse livro só pode ser acessado pelas pessoas “certas”, que consigam driblar seu intrincado mecanismo de segurança sem destruí-lo.
De modo geral, a leitura de Os antiquários é fascinante: com uma atmosfera noir onde se unem drama e aventura, Pablo De Santis apresenta vampiros extremamente humanizados, sem o pedestal de monstros que pertenceu a eles durante séculos de literatura e folclore. 





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[FILME] DRÁCULA DE BRAM STOKER (Bram Stoker's Dracula, 1992)

terça-feira, 28 de agosto de 2018.

Das numerosas adaptações do livro Drácula para as telas (em especial as que estão NESTA LISTA), acredito que este filme de Francis Ford Coppola seja a produção mais representativa e controversa entre os leitores da obra de Bram Stoker. Há aqueles que criticam o filme severamente, acusando-o de distorcer a história do vampiro mais famoso do mundo, transformando-o de morto-vivo cruel e repulsivo a gentleman apaixonado por uma amada reencarnada; nesse sentido, a maior implicância dos leitores está no romance entre Drácula e Mina, coisa que, de fato, não existe no livro. A certa altura da obra escrita o vampiro cria um vínculo com Mina (assim como com outras vítimas), mas é uma ligação de pura dominação mental, não havendo nada de romântico nela. Por outro lado, há aqueles que consideram esta a adaptação “definitiva” do romance clássico: eu fico neste grupo.
Mesmo acrescentando a trama romântica que desagradou tanta gente, o roteiro de James V. Hart é, na minha opinião, o mais fiel ao livro – por mais irônico que possa parecer. Como na obra, o filme segue uma estrutura epistolar, com narrações de Jonathan Harker (Keanu Reeves), Mina Murray (Winona Ryder) e Jack Seward (Richard E. Grant), além de trechos de manchetes – como a sequência sobre a tempestade e o misterioso naufrágio do navio Demeter. O maior mérito desse roteiro em relação ao das outras adaptações é que ele respeita o máximo possível as relações e a presença dos personagens do livro. Geralmente os roteiristas cortam personagens ou "fazem salada" com eles, como em alguns filmes onde Lucy e Mina tem os papéis (e funções) trocados, ou são irmãs, ou Lucy é filha de Jack Seward, ou Arthur e Quincey não existem (ou são uma pessoa só)... enfim: é uma bagunça absurda. Já neste Drácula de Bram Stoker, excetuando a ausência da mãe de Lucy, quase tudo é preservado tal qual na obra original: Mina é amiga de Lucy; Lucy tem os três pretendentes: Arthur, Quincey e Seward; Mina é noiva de Jonathan. Para quê complicar?
          A trama começa com uma sequência inexistente no livro, mas que justifica alguns elementos importantes do filme: uma batalha entre o exército do Drácula “real”, histórico contra os turcos. Dessa batalha resultam a perda de sua amada esposa e a conversão de Drácula em vampiro, numa cena dramática que mostra a origem do vampirismo e o porquê da sua consequente intolerância aos símbolos cristãos.
          A escolha de Gary Oldman como protagonista é tão peculiar quanto acertada. O ator realmente não lembra o personagem do livro e nem os outros Dráculas anteriores do cinema, com cabelo lambido e capa preta; em compensação, parece muito o Drácula histórico, Vlad Tepes, o Empalador, e é exatamente isso que o filme quer ressaltar. Independentemente disso, Oldman apresenta uma atuação inspirada, seja nos momentos em que assombra seus perseguidores e vítimas, seja quando se deixa arrebatar por seu amor à Mina, por quem “cruzou oceanos de tempo”. O elenco de apoio também está impecável, particularmente Anthony Hopkins (que considero o melhor Van Helsing do cinema) e Sadie Frost como a memorável Lucy Westenra. Até personagens menores, como as noivas de Drácula (destaque para Monica Bellucci) estão muito bem situados.
          Nos aspectos técnicos, este filme é um show à parte. A direção de arte na viagem de Jonathan à tenebrosa Transilvânia e nas cenas noturnas na enevoada Londres do século XIX, consegue nos transportar para a atmosfera sombria sugerida pelo livro com perfeição. Além disso, os figurinos exuberantes e a maquiagem de efeitos práticos tornam a experiência de vê-lo ainda mais fascinante.
          Vencedor de 3 Oscars, Drácula de Bram Stoker não só é a melhor versão do romance, como também é meu filme de vampiros favorito de todos os tempos, mesmo que Entrevista com o vampiro, de Neil Jordan, esteja constantemente disputando o posto. Ambos são caprichosas adaptações de excelentes obras literárias que resultaram em espetáculos góticos sensuais: um tributo à essência clássica dos eternos sanguessugas.


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[LISTA] 10 COMÉDIAS COM VAMPIROS

segunda-feira, 20 de agosto de 2018.

Não só de horror e violência vive o cinema vampiresco. Nesta lista estão reunidas, em ordem cronológica, dez produções de diferentes épocas e com diferentes estilos que abordam o tema através da comédia. Alguns dos filmes têm um humor mais sutil, enquanto outros têm um tom satírico mais escrachado.



1. A DANÇA DOS VAMPIROS 
(The fearless vampire killers, 1967)
Direção: Roman Polanski

Neste filme o próprio Polanski (que mais tarde se tornaria célebre por clássicos como O bebê de Rosemary e O pianista) além de dirigir, atua como o jovem e inseguro discípulo de um professor universitário meio biruta que se considera especialista em vampiros. Os dois decidem fazer uma “pesquisa de campo” na Transilvânia e, evidentemente, não demora para eles se meterem em confusão ao se deparar com o temível Conde von Krolock (Ferdy Mayne). O filme é uma paródia dos antigos filmes de vampiros, como os protagonizados por Christopher Lee; além disso, tem a ousadia de introduzir o primeiro vampiro abertamente gay do cinema: Herbert (Iain Quarrier), filho do Conde.


2. AMOR À PRIMEIRA MORDIDA
(Love at first bite, 1979)
Direção: Stan Dragoti

Depois de vários séculos “vivendo” nas trevas da Transilvânia, o Conde Vladimir Drácula (George Hamilton) é despejado de seu castelo pelo governo e indignado, decide ir para Nova York, à procura de seu grande amor: uma top model que ele acredita ser a reencarnação de sua amada de eras passadas. 
George Hamilton está ótimo no papel de um Drácula canastrão, charmoso e apaixonado, desacostumado com os avanços do mundo moderno. Com seu fiel e atrapalhado servo, Renfield (Arte Johnson), essa dupla se envolve em situações hilárias, sobretudo ao enfrentar o obstinado descendente de Van Helsing, noivo da moça cobiçada pelo Conde.


3. PROCURA-SE RAPAZ VIRGEM
(Once bitten, 1985)
Direção: Howard Storm

Este filme é bem a cara dos anos 80 e é impossível não se deixar levar pela música-tema de mesmo nome, do 3-Speed. Apresentando Jim Carrey no começo da carreira, mas com uma ótima atuação, a história gira em torno de uma vampira de 400 anos designada apenas pelo nome “Condessa” (Lauren Hutton). Para se manter jovem e bela, ela precisa realizar um ritual antes do Halloween cujo ingrediente principal é extremamente raro nos dias atuais: sangue de um rapaz virgem! Com a ajuda de seu fiel mordomo (que “saiu do armário” há séculos, mas que de vez em quando entra no da Condessa para experimentar suas roupas de grife), a vampira passa a perseguir Mark (o personagem de Carrey), que, por sua vez, está ansioso para perder a virgindade com sua namorada.


4. VAMP: A NOITE DOS VAMPIROS

(Vamp, 1986)
Direção: Richard Werk

Em muitos aspectos este filme lembra A hora do espanto, possuindo também ideias que evidentemente inspirariam Um drink no inferno uma década depois. É uma mistura de terror adolescente e comédia em torno de alguns jovens que para provarem ser dignos e populares o bastante para fazer parte de uma república de estudantes, precisam realizar uma "missão" num clube de strip-tease. Porém, o que parecia uma noite de diversão excitante logo muda de figura quando os jovens conhecem a exótica dançarina Katrina (Grace Jones), que é, na verdade, a líder de um bando de vampiros que usa o clube como isca para suas vítimas.


5. MEU DOCE VAMPIRO
(My best friend is a vampire, 1987)
Direção: Jimmy Huston

Assim como Procura-se rapaz virgem, este filme reflete bem a década de 1980, sendo ainda mais light e tendo cara de Sessão da Tarde. Na trama, o adolescente Jeremy (Robert Sean Leonard) é mordido por uma vampira e começa a se transformar. Obviamente, ele enfrenta sérias dificuldades para se adaptar a esse novo “estilo de vida”, lidar com os pais e tentar engatar um novo romance. A princípio relutante, ele conta com a ajuda de um vampiro ancião “bondoso”, que lhe orienta a pôr em prática uma perspectiva vampírica alternativa. Porém, novas dificuldades surgem quando um caçador de vampiros totalmente pirado passa a persegui-lo com suas estacas de madeira e balas de prata.

6. BUFFY: A CAÇA-VAMPIROS
(Buffy: The vampire slayer, 1992)
Direção: Fran Rubel Kuzui

Este filme não foi recebido com entusiasmo pelo público e a crítica, mas serviu de base para que, ainda no final da década de 90, Joss Whedon (o roteirista) criasse uma das séries de TV mais queridas de todos os tempos (já comentada AQUI). Kristy Swanson interpreta Buffy, a típica garota fútil que faz parte de um grupo de patricinhas (destaque para Hilary Swank no papel que certamente inspirou a Cordelia da série). De uma hora para a outra, Buffy descobre que tem habilidades especiais e que está predestinada a enfrentar os vampiros que estão infestando a cidade. Com a a orientação de Merrick (Donald Sutherland), ela recebe treinamento para finalmente lidar com Lothos (Rutger Hauer), o líder dos sanguessugas.


7. DRÁCULA: MORTO, MAS FELIZ
(Dracula: Dead and loving it, 1995)
Direção: Mel Brooks

Basicamente uma paródia escrachada dos filmes sobre Drácula, especialmente do “recente” (para a época) realizado por Coppola, esta produção não conhece o significado da palavra sutileza. O maior destaque aqui é, obviamente, Leslie Nielsen como o famoso –  e atrapalhado –  Conde Drácula; por mais pastelão que o filme seja, o ator consegue arrancar boas risadas, principalmente nos embates com Van Helsing (Mel Brooks). Como no filme Amor à primeira mordida, Drácula conta com a ajuda (que mais atrapalha do que é útil) de Renfield (Peter MacNicol) para pôr em execução seus planos tresloucados de sedução, que se reduzem a fracassos sucessivos.

8. A LIGA CONTRA O MAL
(Chin Gei Bin / The Twins Effect, 2003)
Direção: Dante Lam & Donnie Yen

Este filme se diferencia dos demais desta lista de forma inovadora: primeiro, porque se passa na Ásia, especificamente em Hong-Kong, onde ocorre secretamente um constante conflito entre “etnias” de vampiros. Em segundo lugar, a produção não se encaixa simplesmente no gênero comédia: ele mistura humor, ação, terror e romance, indo de cenas tipicamente escrachadas até ótimas sequências de artes marciais, como a que abre o filme. Na história, Kazaf (Edison Chen) é o último de cinco príncipes vampiros perseguidos e destruídos pelo Duque Dekotes (Mickey Hardt), que está prestes a se apossar de um talismã que possibilitará que ele se torne imune à luz solar. Para impedir Dekotes, entram em cena um casal de caçadores de vampiros e a namorada de Kazaf. Destaque para a participação de Jackie Chan.



9. TRANSYLMANIA: UMA UNIVERSIDADE DE ARREPIAR
(Transylmania, 2009)
Direção: David & Scott Hillenbrand

Basicamente um American Pie com vampiros, este filme não agradará quem esperar humor sutil ou roteiro inteligente. A história é absurda e repleta de alusões sexuais banalizadas. Um grupo de estudantes (com todos os estereótipos de estupidez, vício em drogas e sexo) decide cursar um semestre na Universidade de Razvan, na Romênia e acabam caindo nas mãos (e dentes) dos vampiros que habitam a região. Aqui tem um vampiro antigo procurando quebrar um feitiço lançado em sua amada bruxa, um sósia humano azarado desse vampiro, um reitor suspeito com um segredo tão absurdo quanto macabro, no estilo Frankenstein... enfim, é um disparate atrás do outro.


10. GUERRA DOS MONSTROS
(Freaks of nature, 2015)
Direção: Robbie Pickering

Quase tão apelativo quanto Transylmania, este filme consegue ainda assim apresentar algumas ideias interessantes. O título nacional sugere o que ele de fato é: uma paródia parcial de Guerra dos mundos. Na história, a sociedade está organizada numa pirâmide de três camadas onde os seres humanos ocupam a porção central, acima dos zumbis e abaixo dos vampiros. Separados por suas "castas", essas criaturas manifestam preconceito pelos que estão abaixo de sua classe, mas precisarão se unir para enfrentar uma ameaça alienígena que chega à Terra. É um filme bem trash, sangrento e absurdo, mas achei original.
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[FILME] OS VAMPIROS DE SALEM / A MANSÃO MARSTEN ('Salem's Lot, 1979 / 2004)

segunda-feira, 13 de agosto de 2018.

Primeira adaptação do livro A hora do vampiro, de Stephen King (mais detalhes AQUI), esta minissérie foi dirigida por Tobe Hooper (cineasta responsável por clássicos do terror como O massacre da serra elétrica e Poltergeist). Posteriormente, foi editada e relançada em forma de um longo telefilme.
Curiosamente, mesmo sendo tão extensa, essa produção simplificou, modificou e cortou muitos personagens e eventos da história, o que, a meu ver, tornou a experiência de assistir a ela bastante cansativa até mais ou menos a metade. Isso aconteceu porque o roteiro se concentra basicamente no personagem Ben Mears (David Soul) e sua ligação com a mansão Marsten, deixando de lado a grande riqueza de subtramas que poderiam ser exploradas e entrelaçadas, como acontece no livro.  Se se tratasse de um filme de até duas horas, essa simplificação excessiva poderia ser relevada, mas estamos falando de uma obra com 3 horas de duração, o que torna difícil defender essa preguiça do roteiro.
          Entretanto, apesar de esse projeto de Hooper deixar muito a desejar como adaptação, ele tem alguns méritos se analisado como uma produção “original”, ou seja, sem que fiquemos fazendo comparações com o livro. O filme se arrasta muito (com atuações pouco louváveis) até que o clima de apreensão e horror se torne palpável, mas quando isso acontece temos um vislumbre de por que o diretor carrega fama de um dos mestres do gênero. A concepção dos vampiros flutuando na névoa e aparecendo nas janelas é o que há de mais memorável, na minha opinião. A maquiagem dos vampiros, com olhos amarelados, palidez exagerada e caninos longos pode parecer tosca hoje, mas certamente cumpre bem sua função para a época.
        Falando nos vampiros, Hooper inspirou-se claramente no Nosferatu de Murnau para a concepção de seu Barlow. Quem já leu o livro de King, sabe que o “Mestre” é fisicamente semelhante ao Drácula de Bram Stoker, mas neste filme ele está com a aparência grotesca do conde Orlok: careca, com orelhas pontudas, unhas compridas, dentes incisivos longos e tortos. Como diferencial, ele tem a pele bizarramente arroxeada. Outra característica notável é que nesta adaptação ele não fala (algo compreensível, pois seria difícil Reggie Nalder falar com aquela dentadura medonha). Para contornar essa “deficiência”, nos momentos em que ele aparece e diálogos são necessários, ele conta com Straker (James Mason) como intérprete.
          De um modo geral, este Os vampiros de Salem vale a conferida, mas está longe de ser uma das melhores adaptações de Stephen King; além de ter muitas restrições em relação à violência e ao conteúdo impactante do livro, por se tratar de uma versão para TV, ele é muito novelesco e o estilo dos anos 70 não lhe caiu muito bem. Se tivesse sido um filme para cinema, sem o cabresto da censura televisiva da época, acredito que o diretor poderia ter mais liberdade para ousar e torná-lo tão memorável quanto a adaptação de Carrie, a estranha, de Brian De Palma, também dos anos 70, mas que consegue ser infinitamente superior.

***



Lançada originalmente como uma minissérie em duas partes, A Mansão Marsten é outra adaptação do livro A hora do vampiro, também convertida para um filme de 3 horas. O título é uma referência à primeira parte do romance e designa uma casa que abriga forças malignas, situada na cidade onde se passa a história. Apesar de tão longa quanto a adaptação de Tobe Hooper, considero esta versão “recente” muito superior e bem menos cansativa que a primeira, tendo um bom elenco e preservando muito mais aspectos do roteiro do livro do que a dos anos 70.
Dirigido por Mikael Salomon, este filme apresenta um Ben Mears (Rob Lowe) bem mais aceitável, jovem e carismático do que David Soul; outro acerto foi dar a Rutger Hauer o papel de Barlow, pois, na minha opinião, ele ficou bem mais condizente do que aquele Nosferatu roxo da primeira versão. Uma curiosidade é que Hauer já foi "vampiro-líder" em outra produção: Buffy: A caça-vampiros, dos anos 90. Outros nomes interessantes do elenco incluem Donald Sutherland como Straker (fisicamente não se parece em nada com o do livro, mas ficou bem melhor do que James Mason) e James Cromwell como o padre Callahan.
         Outro ponto a favor desta versão é que ela manteve algumas subtramas do livro e deu espaço para personagens menores, como o motorista de ônibus rabugento e sua implicância com as crianças; o corcunda amargurado com sua fixação por uma “lolita” que o despreza; a jovem mãe relapsa que espanca seu bebê e a esposa infiel flagrada no ato (neste último caso, as duas tramas foram fundidas). Além disso, deu o destaque merecido ao passado de Ben e sua aventura traumática na Mansão, através de flashbacks de sua infância, mudando alguns fatores, mas entregando o mesmo produto.
          Quanto à abordagem do vampirismo, também não acho que fique devendo à outra adaptação. Os vampiros aqui são pálidos, têm olhos esbranquiçados, caninos longos e algumas habilidades, como flutuar e hipnotizar. Também há as clássicas cenas em que eles aparecem levitando nas névoa, arranhando as janelas das suas vítimas em potencial.
          Por fim, é necessário lembrar que nesta adaptação há cenas consideravelmente sangrentas; pode soar estranho ter que mencionar algo tão óbvio em se tratando de um filme sobre vampiros, mas como na primeira versão a violência e a presença de sangue eram praticamente inexistentes, achei importante frisar esse aspecto.
          Recomendo (principalmente a quem já leu o livro) que se assista às duas versões, mas se tiver que escolher só uma, é esta que eu indico.


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[QUADRINHOS] INTERVIEW WITH THE VAMPIRE (1991 - 1994)

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