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[FILME] VAN HELSING: O CAÇADOR DE MONSTROS (Van Helsing, 2004)

sexta-feira, 13 de setembro de 2019.

Uma multidão enfurecida, armada com foices e tochas, dirige-se ao castelo de Victor Frankenstein (Samuel West), que a essa altura vibra de felicidade por ter conseguido dar vida à sua criatura abominável. Entretanto, a alegria de Victor dura pouco, pois ali está ninguém menos que Drácula (Richard Roxburgh), que financiou as experiências do cientista e tem intenções pouco humanitárias para a criatura. O conde vampiro pretende usar o monstro de Frankenstein como “bateria” para dar vida a sua numerosa prole de sanguessugas alados em miniatura. Para impedir que este plano grotesco tenha êxito, entra em cena Van Helsing (Hugh Jackman), um experiente caçador de monstros incumbido pelo Vaticano de eliminar as ameaças sobrenaturais que assolam o mundo. Acompanhado do seu fiel escudeiro, frade Carl (David Wenham), Van Helsing parte para a Transilvânia, onde se reúne a Anna Valerious (Kate Beckinsale), descendente de uma antiga família amaldiçoada pela existência de Drácula.
Esta é, em resumo, a trama de Van Helsing, filme que não é exatamente sobre vampiros, mas que os coloca como elemento central numa verdadeira salada de referências aos antigos filmes de monstros da Universal. Aqui há espaço não só para Drácula e Frankenstein, mas também para lobisomens e até mesmo Jekyll/Hyde do clássico O médico e o monstro.
Nos quesitos técnicos, Van Helsing é um filme que não decepciona: fotografia, figurinos, maquiagem e efeitos especiais são realmente dignos de uma superprodução. O problema, na minha opinião, é que toda essa beleza visual cobrou um alto preço: história. A direção e roteiro são de Stephen Sommers, o mesmo responsável pelos dois primeiros filmes da trilogia A Múmia (1999 e 2001). Porém, considero aqueles filmes muito mais sólidos, originais e interessantes, principalmente porque as histórias são bem amarradas – o que eu acho o mais importante em qualquer trama de aventura com elementos de fantasia.
O roteiro de Van Helsing é frágil e cheio de furos, desde as motivações de Drácula até a resolução do grande enigma sobre a localização de seu esconderijo e a forma de destruí-lo. Além disso, o filme apresenta algumas caracterizações de gosto duvidoso, como o Mr. Hyde parecendo o incrível Hulk, o Drácula muito afetado e – o único grande erro do CG – a versão monstruosa dele que aparece no confronto final do filme. Aquele morcegão ficou mais tosco do que o Escorpião Rei que desperta no fim de O retorno da Múmia. O próprio Van Helsing não tem nada daquele velhinho altamente instruído nas ciências ocultas que aparece no livro de Bram Stoker; contudo, isso é perdoável, já que aqui ele nem se chama Abraham, mas Gabriel, algo que pode ser considerado uma saída criativa do diretor e roteirista para a reinvenção do personagem. Seja como for, o fato é que este não é um dos filmes que apresentam Drácula em sua melhor forma.

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[SÉRIE] FROM DUSK TILL DAWN: The Series (2014 - 2016)

sábado, 6 de julho de 2019.

Desenvolvida por Robert Rodriguez (diretor do filme de 1996 comentado AQUI) From Dusk Till Dawn: The Series estreou em março de 2014 e teve 3 temporadas, distribuídas no Brasil pela Netflix – embora não seja uma produção original da plataforma. A primeira temporada é basicamente um remake do filme, apresentando mais detalhadamente os eventos ocorridos desde a perseguição da polícia aos irmãos Gecko até o sequestro dos Fuller e, finalmente, a luta pela sobrevivência no Titty Twister. Também são introduzidos novos personagens, que ganham bastante destaque nas temporadas seguintes, em especial Freddie (Jesse Garcia), um policial que está sempre na cola dos Gecko, e Carlos (Wilmer Valderrama), um dos vilões principais até a segunda temporada. Protagonizando a série estão D.J. Cotrona como Seth e Zane Holtz como Richie (papéis que pertenciam respectivamente a George Clooney e Quentin Tarantino no filme). As personalidades dos dois foram muito bem trabalhadas na série: Seth sendo o irmão cínico e prático, enquanto Richie é perigosamente instável, literalmente perturbado por seus demônios interiores.
         Quem já assistiu à trilogia sabe que as sequências não têm ligação com o filme original: o segundo porque o ignora e é quase um reboot; o terceiro porque é uma prequela, narrando a origem de Santanico um século antes da história do primeiro filme. A série, por sua vez, segue seu próprio caminho. O final da primeira temporada é diferente do mostrado no filme, com Richie e Santanico vivos, tornando-se personagens fundamentais na trama das próximas temporadas.
           Um aspecto muito chamativo na série é que ela desenvolve uma mitologia mais rica sobre os “vampiros-répteis” (aqui chamados culebras), deuses, demônios e outras entidades que povoam esse universo baseado nas crenças astecas. A propósito, a origem de Santanico (Eiza González) é diferente da apresentada em Um drink no inferno 3: A filha do carrasco, mas pessoalmente achei mais condizente com o contexto da mitologia.
          O visual dos vampiros na série é outro acerto, mais orgânica e “limpa” do que a do filme, combinando bem efeitos digitais (com direito a presas retráteis como em True Blood) e maquiagem prática. Outra coisa interessante é que a série traz algumas participações especiais de atores da trilogia (em outros papéis): Robert Patrick, que interpreta Jacob Fuller, foi um dos membros da quadrilha (e posteriormente mocinho) de Um drink no inferno 2: Texas sangrento. Danny Trejo aparece na 2ª temporada como Regulator, um vilão barra pesada; nos filmes ele era o bartender do Titty Twister. E Tom Savini, que era o icônico “Sex Machine” no primeiro filme, aparece na 3ª temporada da série como Burt, uma espécie de caçador de demônios aposentado.
          No final das contas, embora eu prefira o filme Um drink no inferno como produção única, acho que a série funciona bem melhor do que a trilogia. Os efeitos visuais são muito bons, há ótimas sequências de ação e momentos sanguinolentos que são puro deleite no melhor estilo trash.


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[LISTA] 3 NOVAS SÉRIES DE VAMPIROS

quarta-feira, 22 de maio de 2019.

Estão listadas aqui as três séries vampirescas mais recentes de que tenho notícia, lançadas neste ano até a data desta publicação.

1. THE PASSAGE

Baseada na trilogia best-seller de mesmo nome escrita por Justin Cronin, esta série tem o dedo de Ridley Scott, Matt Reeves e do próprio autor como produtor. A produção lembra The Strain (também baseada numa trilogia literária) por ter uma abordagem mais científica para o vampirismo e a consequente “praga” de sanguessugas que se alastra pelo mundo. Porém, enquanto em The Strain ainda há alguns elementos mitológicos (como a origem dos primeiros vampiros e suas fraquezas), em The Passage o vampirismo é consequência de um experimento militar secreto do governo americano que sai do controle e se transforma num desastre global.
Basicamente a primeira temporada acompanha o agente Brad Wolgast (Mark-Paul Gosselaar) em sua missão de proteger Amy (Saniyya Sidney), uma menina órfã escolhida para ser a cobaia do experimento. Essa temporada ficou mais focada no desenvolvimento dramático dos personagens, deixando pouco espaço para a ação. O tal apocalipse vampírico só ocorre realmente no final da temporada e seria explorado com mais intensidade no segundo ano da série. Infelizmente, parece que a audiência não se satisfez com a demora em chegar às vias de fato, o que forçou a Fox a cancelar oficialmente a produção. Agora, quem quiser saber os rumos da trama de Cronin terá que se contentar com os livros.



2. KINGDOM

Esta série sul-coreana distribuída pela Netflix teve mais sorte que The Passage: prevista para ser uma minissérie de 6 episódios, foi tão bem aceita por público e crítica que uma segunda temporada já foi confirmada. A trama medieval mistura elementos históricos e fantásticos para contar a história de um reino assolado por uma estranha praga que transforma as pessoas em monstros sanguinários. Enquanto o príncipe herdeiro do trono investiga tal praga e sua relação com o rei – que adoeceu misteriosamente do mesmo mal –, precisa lidar com toda uma intriga de conspirações, traições políticas e ambições que estão fervilhando no reino, ameaçando a própria sucessão real.
Em relação aos vampiros desta série, há certa controvérsia em classificá-los como tal, pois embora sejam sedentos por sangue e sensíveis à luz solar, suas demais características são mais próximas dos zumbis, como a selvageria, a forma como se movem e se comportam, sua aparência putrefata, etc. Há até quem prefira considerá-los “híbridos”, batizando-os como zumbiros!  



3. IMMORTALS

Esta série chegou à Netflix oficialmente em 2019, mas já fazia parte de um canal do YouTube no ano passado. Trata-se de uma produção turca que provavelmente agradará os fãs órfãos de The Vampire Diaries, pois segue a fórmula das séries teen do gênero. Sendo bem franco, das 3 séries listadas aqui esta foi a única de que não gostei e justamente por esse motivo.
A trama acompanha a vampira Mia (Elçin Sangu) em sua busca por vingança contra Dimitri (Kerem Bürsin), o vampiro que a transformou contra sua vontade. Ao mesmo tempo que sonha em voltar a ser humana, Mia pretende impedir que Dimitri obtenha uma relíquia cujos poderes podem torná-lo invulnerável. É claro que nesse jogo de gato e rato muitos sentimentos conflitantes de amor e ódio afloram. Como dá para notar, não é uma série que se destaque por originalidade, mas pode valer a pena pela ambientação exótica em Istambul. Ainda não há confirmação sobre uma possível segunda temporada.

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[TRILOGIA] BLADE (1998 / 2002 / 2004)

terça-feira, 16 de abril de 2019.

Lançado no final dos anos 90, o primeiro filme de Blade é mais uma produção memorável daquela década riquíssima para o cinema vampiresco (só para citar alguns clássicos da época: Drácula de Bram StokerEntrevista com o vampiro e Um drink no inferno). O principal diferencial de Blade em relação às outras produções é que dessa vez temos uma abordagem mais voltada para a ação, nos moldes dos filmes de super-heróis. De fato, Blade é um personagem dos quadrinhos Marvel, criado por Marv Wolfman e Gene Colan. Caracterizado como um vampiro negro dotado de habilidades precisas no manejo de armas de fogo, lâminas (de onde lhe veio o codinome) e artes marciais, Blade (Wesley Snipes) é uma espécie de (anti)herói que dedica sua vida a exterminar os vampiros. Na mitologia do filme, os vampiros são imunes a “amenidades” como símbolos religiosos, de modo que, para destruí-los, os únicos meios são através da violência e armamentos que contenham prata, alho ou luz ultravioleta.
          Tendo sido transformado em vampiro antes de nascer (sua mãe foi atacada por um vampiro quando já estava grávida), Blade é apenas meio-vampiro, possuindo a força, rapidez e resistência dos vampiros, mas sendo imune à luz solar – razão pela qual ele é conhecido como Daywalker, “O Que Caminha de Dia”. Infelizmente para ele, Blade herdou a sede de sangue dos vampiros, sendo necessário que tome regularmente um soro inibidor preparado por Whistler (Kris Kristofferson), seu mentor e figura quase paterna.
          No universo de Blade existem os vampiros puros (que já nasceram assim, isto é, pertencem a uma linhagem) e os “não-puros”, ou seja, humanos que adquiriram essa condição através de mordida. É nesse último grupo que se encontra Deacon Frost (Stephen Dorff), o vilão deste filme. Humilhado por não ter ascendência pura, Frost planeja vingar-se da elite vampírica e adquirir poder absoluto através de um ritual profético no qual incorporará um deus vampiro ancestral invencível. A missão de Blade é impedir que Frost realize seu objetivo e provoque um apocalipse vampiro sem precedentes.
       De modo geral, Blade é um ótimo filme de ação com vampiros, com boas atuações – especialmente a de Snipes –, roteiro consistente e efeitos visuais muito bons (exceto o dos vampiros “inchando” e explodindo ao levar injeções de anticoagulante: aquilo dá vergonha alheia). Mas ainda assim Stephen Norrington se saiu melhor na direção do que David S. Goyer no terceiro filme.



A sequência de Blade foi dirigida por um Guillermo Del Toro já conhecido no meio hollywoodiano, e ele não decepciona aqui; na verdade, Blade 2: O Caçador de Vampiros é o melhor filme da trilogia. Os eventos se passam dois anos depois da trama anterior. Uma nova raça de vampiros mutantes surgiu, resultado de uma espécie de pandemia viral que torna os infectados quase invulneráveis, a não ser pela luz solar. Esses novos vampiros são muito mais primitivos e selvagens e, além de serem incontroláveis, representam perigo para os vampiros “normais”, pois se alimentam também deles, infectando-os. Na urgência de conter essa praga antes que ela dizime seu “povo”, o Lorde Damaskinos (Thomas Kretschmann) propõe uma trégua/aliança com Blade. Porém, como nosso herói badass bem tem motivos para desconfiar, Damaskinos e sua turma não estão sendo totalmente honestos.
          As cenas de ação e os efeitos visuais desse filme são eletrizantes, das coreografias das lutas aos espetáculos pirotécnicos, mas o mais interessante, sem dúvida, é a concepção dos “reapers” (como são chamados os vampiros mutantes). Eles lembram bastante os monstros criados por Del Toro e Chuck Hogan posteriormente no universo de The Strain: além de serem carecas e muito pálidos, suas bocas se abrem anormalmente com uma fenda que vai até o queixo, e eles infectam as vítimas através da língua, que possui uma espécie de ferrão.



Se o segundo filme foi melhor do que o primeiro, era de se esperar que o terceiro pelo menos mantivesse o nível do antecessor... coisa que passou longe de acontecer. É estranho que David S. Goyer, roteirista dos filmes anteriores, tenha errado tanto ao assumir o roteiro e a direção deste capítulo final da trilogia.
A ideia central de Blade Trinity até que é aceitável: um grupo de vampiros decide ressuscitar ninguém menos que Drácula, o vampiro original, com o objetivo de descobrir seu segredo para ser invencível e imune à luz solar, e, de quebra, fazer com que ele destrua Blade. Em contrapartida, um grupo de caçadores de vampiros que se autodenomina “Nightstalkers” está trabalhando no desenvolvimento de uma “cura” viral para o vampirismo, precisando da ajuda de Blade para infectar Drácula. Até aí, o filme vai bem; o problema é que a execução dessa ideia é péssima, desde a escolha de Dominic Purcell para o papel de Drácula (exceto quando ele está na sua forma monstruosa, parece que ele acabou de fazer um show de axé) até o roteiro cheio de situações forçadas e mal resolvidas levando a um final brega. Talvez o pior recurso desse filme tenha sido introduzir humor desnecessariamente; aliás, o personagem de Ryan Reynolds está o tempo todo fazendo piada, como se já estivesse ensaiando para ser Deadpool. Enfim, é um filme bem dispensável, válido apenas para dar uma ideia de fechamento à trilogia.

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[LISTA] 5 PIORES SEQUÊNCIAS DE FILMES DE VAMPIROS

terça-feira, 12 de março de 2019.

Uma seleção de algumas das continuações mais descartáveis do cinema, seja porque os filmes originais não precisavam de sequências, seja porque mereciam coisa bem melhor.



1. A RAINHA DOS CONDENADOS (Queen of the Damned, 2002)
Direção: Michael Rymer

Para começar, um filme que já está na lista 10 filmes de vampiro para morrer antes de ver.
De longe o pior desta lista, particularmente considero esta a pior sequência/adaptação que já vi. Diferente do primor com que Anne Rice e Neil Jordan levaram às telas a adaptação de Entrevista com o vampiro, esta sequência já começa errando ao tentar adaptar os dois livros seguintes das Crônicas Vampirescas (O vampiro Lestat e A Rainha dos Condenados, ambos bastante longos) num filme de pouco mais de uma hora e meia. O resultado é deplorável. A única coisa que se salva é a trilha sonora.




2. UM DRINK NO INFERNO 2: TEXAS SANGRENTO (From Dusk Till Dawn 2: Texas Bloody Money, 1999)
Direção: Scott Spiegel

O filme original até deixa pontas soltas para uma sequência, mas este filme não se preocupa em amarrá-las; na verdade, o único vínculo com o filme anterior é uma cena no Titty Twister, onde ocorre um novo ataque de vampiros a uma quadrilha. E ainda assim é uma cena sem noção, já que é “coordenada” pelo vampiro-barman interpretado por Danny Trejo (e que morreu no filme original). Outra incoerência é que desconsideraram a mitologia criada no anterior, onde os vampiros eram meio reptilianos; aqui eles têm a aparência "normal" dos de Os garotos perdidos.




3. GAROTOS PERDIDOS 2: A TRIBO (Lost Boys 2: The Tribe, 2008)

Direção: P. J. Pesce
Uma continuação que leva quase vinte anos para ser lançada já diz muito sobre si mesma. Para tentar compensar a falta de carisma dos personagens (inclusive do único remanescente do filme original, Edgar Frog), a produção exagera na sexualização e só se lembra do derramamento de sangue quando já se passaram 2/3 da duração.









4. BLADE TRINITY (2004)
Direção: David S. Goyer

O primeiro Blade é um bom filme, mas Guillermo Del Toro conseguiu a proeza de realizar uma sequência excelente; já David S. Goyer deu com os burros n’água e fechou a trilogia de forma precária. O maior problema aqui é o roteiro fraco cheio de clichês, com personagens mal construídos e caricatos; nem mesmo o rei dos vampiros foi poupado: Drácula foi representado com uma aparência de cantor latino. Vale, quando muito, pelas cenas de ação pirotécnicas.






5. DRÁCULA 2: A ASCENSÃO (Dracula 2: Ascension, 2003)

Direção: Patrick Lussier
Apesar de não ter sido nenhum sucesso de crítica ou público, achei Drácula 2000 um filme bem razoável; o mesmo não pode ser dito desta sequência horrenda. O roteiro tem tantas falhas e absurdos, o andamento é tão arrastado e os personagens são tão patéticos (inclusive o Drácula oxigenado da vez) que é um tormento assisti-lo até o final. Pelo menos tem o “mérito” de ser curto.

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[FILME] DRÁCULA 2000 (Dracula 2000, 2000)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019.

Como o título indica, Drácula 2000 traz o imortal personagem de Bram Stoker para o novo milênio, fazendo-o despertar nos dias atuais (considerando o ano da produção), em busca de sangue, sexo... e um amor que é literalmente parte de si. A história se passa entre Londres e Nova Orleans – cenários clássicos para os vampiros de Stoker e Rice, respectivamente. O filme começa com a chegada fatídica do Demeter a Londres em 1897; há um avanço para o ano 2000 e acompanhamos um assalto minuciosamente orquestrado por ladrões hábeis em driblar segurança eletrônica. Eles invadem a loja de antiguidades de Van Helsing (Christopher Plummer) e encontram um caixão de prata hermeticamente lacrado e trancafiado num cofre nos subterrâneos da loja. Acreditando ser onde estão guardados os pertences mais valiosos do proprietário, eles levam o caixão e acabam inadvertidamente abrindo-o, libertando – e alimentando – novamente o poderoso vampiro, aqui interpretado por Gerard Butler. Drácula parte então para a América, movido por uma fixação pela humana Mary (Justine Waddell), com quem compartilha uma estranha ligação mental. Cabe a Van Helsing, acompanhado de seu incrédulo assistente Simon (Jonny Lee Miller) a missão de impedir que o vampiro concretize seus planos.
          Apesar de não ser uma adaptação direta, este filme, dirigido por Patrick Lussier, faz várias referências ao livro Drácula: além da óbvia presença de Van Helsing – que diz ser descendente do personagem original – sua loja tem o nome Carfax; Drácula transforma especificamente três mulheres, que se comportam como suas “noivas”; ele pode se transformar em lobo e morcego; a mocinha do filme trabalha e mora com uma amiga chamada Lucy e uma das vampiras é tratada por um certo Dr. Seward. Por sua vez, a perseguição de Drácula a Mary lembra a fixação apaixonada do personagem por Mina no filme de Coppola (comentado AQUI).
          Em relação à mitologia vampírica tratada neste filme, vemos que os vampiros não têm reflexos, podem escalar paredes, dar grandes saltos, seduzir, são sensíveis a prata, queimam ao sol e temem crucifixos (a menos que sejam ateus, como é explicado “na prática”); quanto às formas de matá-los, a regra da estaca no coração continua válida, mas é preferível a decapitação.
         Um ponto original nessa produção é a ideia de explorar a identidade de Drácula, o que tem o duplo efeito de buscar uma nova origem para o mito e, consequentemente, uma justificativa para as suas maiores fraquezas aqui: símbolos cristãos, prata e luz solar. Associar o vampirismo a uma maldição infligida a um personagem bíblico é uma ideia realmente interessante e plausível.

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[LIVRO] A ÚLTIMA VAMPIRA (The Last Vampire, 2001)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019.
A última vampira é a sequência do romance neogótico Fome de Viver (The Hunger), publicado e adaptado para o cinema na década de 1980 (sobre o filme, clique AQUI). Diferindo do final do filme, no qual a protagonista e milenar vampira Miriam Blaylock morre (numa cena memorável), o livro tem um desfecho mais “otimista” para a personagem, possibilitando seu retorno nesta continuação.
Publicado vinte anos depois de Fome de viver, a trama de A última vampira também se passa duas décadas depois dos eventos daquele livro, começando com Miriam viajando à Ásia (especificamente, a Bangcoc) para participar do Conclave, uma espécie de conferência centenária na qual os guardadores (como são chamados os vampiros) se reúnem para realizar suas cerimônias secretas e discutir o futuro do seu “rebanho”, isto é, os seres humanos.
Entretanto, ao chegar ao local da reunião, ela descobre que um experiente caçador de vampiros financiado pela CIA orquestrou a destruição do “covil” asiático e de todos os guardadores que ali se encontravam. Miriam parte então para a França, a fim de alertar os europeus do risco que a espécie está correndo, com um exterminador que agora conhece as fraquezas e segredos deles. Em Paris, uma nova carnificina ocorre, da qual Miriam escapa por pouco, conseguindo retornar à América, mas ainda com o caçador – Paul Ward – no seu encalço. À medida que a trama avança, percebe-se que os destinos de Miriam e Paul estão fatalmente ligados por uma circunstância bizarra cujas consequências atingirão ambos de forma imprevisível – pelo menos imprevisível para eles.
          Se, devido à abordagem elegante, sombria e acentuadamente homoerótica, Fome de viver tinha certas similaridades com as obras de Anne Rice, neste segundo livro tais semelhanças são ainda mais perceptíveis, às vezes parecendo uma “versão lésbica” de Entrevista com o Vampiro. O trio de vampiras que protagoniza o livro tem uma curiosa correspondência com o trio central do primeiro volume das Crônicas Vampirescas: Miriam, poderosa e influente, lembra Lestat; Sarah, a amante de Miriam, lembra muito Louis, pois sofre de uma eterna crise de consciência por ter que tirar vidas humanas para manter sua existência amaldiçoada; Leonore, por sua vez, a nova cria de Miriam, é fútil, impetuosa e inconsequente como Cláudia.
         Entretanto, essa semelhança com Rice não desabona o livro de Strieber de sua própria originalidade, pois aqui o autor (sim, ao contrário do que muita gente pensa, Whitley é um homem) desenvolve conceitos muito interessantes para a sua mitologia vampírica, desde suas origens “alienígenas” até a presença e influência dos vampiros nos grandes impérios históricos.
          Aqui os vampiros são uma espécie distinta e muito anterior à humanidade, sendo que essa “condição” é hereditária e, portanto, não transmissível através da mordida ou da troca de sangue, como é tradicionalmente representado na literatura e no cinema. Em relação à troca de sangue, o que acontece é que quando um vampiro o dá a um ser humano, este passa a ter a mesma sede de sangue e tem sua vida prolongada em séculos; porém, há um alto preço a pagar por essa dádiva – que mais tarde revela-se uma maldição: depois de levar uma vida excepcionalmente longa, o prazo de validade do humano “infectado” acaba e ele se deteriora transformando-se em um “cadáver vivo”, incapaz de morrer. Ao longo dos séculos, Miriam tem inúmeros amantes, aos quais ela ludibria dando-lhes seu sangue para prolongar-lhes a vida; quando eles se tornam essas múmias, ela os tranca em caixões que guarda no sótão por toda a eternidade.
          Um outro aspecto interessante na mitologia de Strieber é o sexo vampírico.  Diferente das obras de Anne Rice, nas quais o erotismo dos vampiros transcende a sexualidade humana, em A última vampira a abordagem sexual é mais carnal e explícita, como acontece nos livros de Charlaine Harris protagonizados por Sookie Stackhouse e, principalmente, em sua adaptação televisiva, True Blood. Os vampiros de Strieber podem se reproduzir entre si, e essa é a única forma de gerar novos e “verdadeiros” vampiros; Miriam deseja procriar com sua espécie, mas também gosta de se envolver sexualmente com os humanos – homens ou mulheres – simplesmente pelo prazer que obtém dessas relações.
          Procurando opiniões de leitores que conheçam os dois livros, é comum encontrar reclamações de quem afirme que esta sequência não tem a sutileza do livro original – no qual a própria palavra “vampiro” nem era mencionada. De fato, A última vampira segue uma abordagem mais explícita e menos sugestiva. A ação (sexo e violência) recebe mais destaque do que a atmosfera da história, mas não posso dizer que isso me desagradou; prefiro pensar que o autor mudou a perspectiva para adaptar-se à nova era, onde a tendência é o apelo gráfico. O que me frustrou foi descobrir, tarde demais, que este livro tem mais uma sequência: Lilith’s Dream, não publicado no Brasil.

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[QUADRINHOS] INTERVIEW WITH THE VAMPIRE (1991 - 1994)

         Publicada pela Innovation Comics, Interview with the vampire foi a primeira transposição do romance homônimo de Anne Rice para out...